Entenda por que Stephen Hawking é tão importante para a astrofísica moderna

Stephen William Hawking faleceu na última quarta-feira (14), aos 76 anos. O físico teórico britânico é o cientista mais popular desde Albert Einstein e responsável por boa parte das descobertas da astrofísica moderna, como a nova teoria do espaço-tempo e a radiação dos buracos negros. Conheça mais sobre sua carreira:

Nascido em uma família de intelectuais em Oxford, no Reino Unido, no dia 8 de janeiro de 1942, Stephen Hawking iniciou seus estudos no University College, de Oxford, em 1959. Pretendia se dedicar à Matemática, mas, como esta não integrava a grade da universidade, escolheu a Física e se graduou em 1962. Em 1965, recebeu sua primeira premiação, na licenciatura em Ciências Naturais. Emigrou de Oxford para Cambridge visando a Cosmologia, área na qual se tornou doutor.

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Durante seus estudos em Cambridge, em 1963, aos 21 anos, foi diagnosticado com um tipo de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa rara que paralisa os músculos do corpo. Mesmo assim, ele concluiu seu doutorado, tornou-se professor de Matemática, ocupando a cátedra que antes havia sido de cientistas como Charles Babbage, Isaac Newton e Paul Dirac, e dirigiu o departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da mesma universidade.

Em 1985, Hawking contraiu uma grave pneumonia. Foi submetido a uma traqueostomia que lhe salvou a vida, mas o deixou sem voz. Para se comunicar, ele passou a utilizar um sofisticado método eletrônico com um sintetizador de voz acionado pelo movimento do músculo sob seu olho.

Hawking trabalhou ao longo da vida para desvendar as leis que governam o universo e, junto com seu colega Roger Penrose, mostrou que a teoria da relatividade de Albert Einstein implica que o espaço e o tempo devem ter um princípio, que denominou "big bang", e um final dentro dos buracos negros. Em meados da década de 1970, ele também descobriu que a combinação das leis da mecânica quântica e da relatividade geral negavam que os buracos negros fossem completamente negros, pois emitiam uma radiação, conhecida desde então como "Radiação Hawking".

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Em 1988, publicou "Uma breve história do tempo", livro que se tornou em um grande sucesso mundial, com mais de 25 milhões de exemplares vendidos. Ao longo de sua carreira, publicou catorze obras, entre elas "Uma nova história do tempo", "Buracos negros e pequenos universos", "Questões quânticas e cosmológicas" e "O universo numa casca de noz".

Em 2004, reconsiderou sua própria teoria sobre os buracos negros e expôs uma nova, que questiona que os mesmos sejam uma espécie de poço sem fundo. Cinco anos depois, deixou a titularidade da cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge e passou a ser diretor de pesquisa no centro educativo. Em 2013, estreou um documentário sobre sua vida e, em 2014, teve sua história contada no filme "A Teoria de Tudo", no qual foi interpretado pelo ator Eddie Redmayne.

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Últimas contribuições

Em julho de 2015, apresentou na Royal Society, em Londres, um projeto de busca de vida extraterrestre financiada pelo multimilionário russo Yuri Milner. No ano seguinte, mostrou seu apoio a um programa financiado por Milner para enviar uma nave a outro sistema solar. Em 2017, comemorou a primeira detecção de ondas de luz e gravitacional produzidas pela fusão de duas estrelas de nêutrons.

Além de todo o seu trabalho, Hawking tomou posição em debates públicos importantes. Foi defensor do sistema público de saúde britânico e crítico em relação ao descuido com as mudanças climáticas e ao Brexit. Ao vivo, ficou conhecido pelos debates apaixonados. O cientista costumava dizer que falava melhor por meio do computador do que antes de perder sua voz. Certa vez, depois de embarcar em um voo com gravidade zero em um Boeing 727, perguntaram por que se arriscava tanto. “Quero mostrar às pessoas que elas não precisam ser limitadas por problemas físicos se não tiverem limitações de espírito.”