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Dia a dia da expedição, por Amanda

Talvez uma coisa que ainda não esteja clara para quem está acompanhando a Expedição é exatamente o que rola em nossos dias, como estamos trabalhando na prática. Já contei isso para tantos amigos, acho que é hora de oficializar um post, facilitar minha vida e chegar em gente nova 😉

Consigo dividir (i) nossos dias em 4 formatos (trabalho integral, trabalho meio período, viagem e descanso) e (ii) nossas atividades também em quatro (oficinas de experimentação, palestras, oficinas de aprofundamento com educadores e experimentações criativas). Descrevo-os abaixo:

(i) em cada cidade que chegamos, em geral temos: dois dias de trabalho integral, um meio período, um de viagem e talvez um de descanso. Nos dias de trabalho integral, temos que estar prontos na van às 7h e ficamos na ativa até as 19h30, fazendo uma oficina de experimentação, uma criativa e uma palestra. Nos meio período, trabalhamos das 7 às 13h, em oficinas de experimentação. Nos de viagem, nos encontramos prontos na van às 6h30 e viajamentos entre 10 e 12h, incluindo uma pausa para café e uma para almoço. E nos de descanso, estamos livre para passear e dormir muuuuuuito.

(ii) (a) as oficinas de experimentação duram, cada uma, 45 min: dividimos 25~30 pessoas em grupos de 5~6, que participam cada um de uma de nossas 5 mesas de atividades (de programação de um rosto robótico a construção de um pinball com pedaços de mdf); (b) as palestras são 30~60 min de palestra sobre aprendizagem criativa + 60~30 min de roda de conversa e depois um café com conversa sobre a possibilidade de criação de um espaço de aprendizagem criativa local; (c) as oficinas de aprofundamento com educadores duram 3h, nas quais 30 educadores trabalham por 2h com a mão na massa e depois conversam sobre sua experiência e a possibilidade de recriá-la em seu dia a dia escolar; e (d) as experimentações criativas duram 3h, nas quais 30 estudantes passam pela experiência da aprendizagem criativa que o MundoMaker propõe e alguns professores observam a atividade.

Sei que a descrição é corrida, mas é só um gostinho de como está sendo tudo. Acompanhando o blog e nossas redes sociais, acho que será cada dia mais fácil entender melhor como tudo acontece!

Dia 5, por Alexandre

A “viagem pelo Brasil realizando um projeto de educação itinerante” revela-se, diferentemente do tom que suscita a frase, um trabalho exigente, de noites pouco dormidas e dias repletos de afazeres. O costumeiro momento do dia de ser si mesmo em espaço próprio também torna-se escasso ou inexistente.
A van até que é confortável e as estadias são justas, o que, juntamente com a boa cia, tornam-se aspectos importantes ao contrapeso dentro de minha mente adaptativa a esse novo modelo de cotidiano. Mas, definitivamente, é na realização dos encontros e oficinas que tudo toma forma e sentido.
Em geral é mais expressivamente após as oficinas com adultos, durante as rodas de conversa, ou mesmo durante as atividades práticas (“mão na massa”) com as crianças, que a viagem revela o sabor de glória, anulando qualquer traço de agonia sobre o que fora o processo de aragem e semeadura em terreno pedregoso.
Em São Carlos pude contemplar processos de ressignificação sobre “trabalho em equipe” por jovens, crianças e até ex-conformados adultos.
Hoje mesmo, aqui em Goiânia, foi com sentimentos lacrimejantes que assisti a uma criança defensiva, calejada por ambientes sociais hostis, mais uma que repete entre colegas os tratamentos de rejeição que recebeu alhures, abrindo-se pouco a pouco ao frutífero trabalho em grupo. Despia-se, mesmo que sutilmente, do papel de quem exerce bullying. Reconhecia, mesmo que timidamente, a importância do trabalho da esmerada colega (geralmente alvo do bullying).
Abria-se claramente, naquela atividade, uma brecha para que essa e outras crianças enxergassem de forma distinta às outras e a si mesmas, a desvencilharem-se das amarras de um cotidiano vicioso e possivelmente de reinserirem-se socialmente, mesmo que durante um breve exercício.
Que seja uma pequena semente plantada na mente daquela garotinha. E que venha a reverberar e otimizar sua experiência de vida, assim como as de quem a rodeiem.

Dia 6, por Amanda

Uma das perguntas que fizeram repetidamente para os candidatos a educadores da Expedição MundoMaker foi “o que te motiva na viagem?”. Minha resposta veio a mente e pareceu óbvia, “Trabalhar com educação é um sonho e um projeto de vida. Ajudar a acender fagulhas de uma educação transformadora pelo Brasil será uma oportunidade incrível”.

Quando outros deram suas respostas, no entanto, elas também me pareceram minhas: “Acredito em indivíduos autônomos e comunidades resilientes, em soluções inovadoras para futuros prósperos e abundantes” (Alê), “O que me move é a possibilidade de unir as sabedorias populares tradicionais que conheceremos com as tecnologias que já conhecemos tão bem, e com o resultado criar projetos em uníssono” (Kadu), “O que me move é o próprio movimento. A possibilidade de ter contato, ensinar e principalmente aprender com pessoas diferentes. Me encontrar nos outros e permitir que outros se encontrem em mim” (Nathan), “O que me move é paixão. E me apaixono todos os dias pelas pessoas, coisas e lugares!” (Laís).

Acho que hoje, no 6º dia de expedição, 2º dia de Goiânia, começo finalmente a descobrir qual é a minha resposta: a calma das crianças do projeto Cidadão na USP depois do exercício de atenção plena, a alegria e amor inabalável das mulheres da ONG Terra Livre, a descoberta da professora Fabiana hoje de manhã, a conversa sobre agroecologia com os meninos do assentamento Silvio Rodrigues no jantar de hoje. No fim do dia, como sempre, o que me motiva é estar aberta para as oportunidades de encontro que a vida oferece, para a rica troca que pode acontecer entre um grupo maker de São Paulo e um agroecologista de 15 anos de Alto Paraíso.

Por mais que saibamos que o caminho da educação passa pelo educador não ser alguém que professa, é sempre um tapa na cara aprender tanto de quem se colocou (mais do que desnecessariamente) na posição de seu aluno e de quem nunca ouviu falar nas ferramentas nas quais você sabe mexer. O infinito das possibilidades educativas no simples encontro com o outro será, acredito eu, uma nova surpresa em cada um dos 71 dias de expedição que ainda restam.

De mau aluno de física a educador de circuitos e programação

Sou o monitor mais novo da expedição, com dezoito anos e conclui o ensino médio ano passado sem ser um aluno acima da média. Nas exatas encontrei minhas principais dificuldades, tendo problemas em decorar fórmulas e executar contas matemáticas. Uma das matérias do terceiro ano do colegial são os circuitos em física. Foi um dos assuntos em que tive mais dificuldade e passei raspando, na base de café e decoreba na noite antes da prova.

Quando o treinamento para Expedição começou, fui ganhando confiança em experimentar, errar e construir. No fim do treinamento me empolguei e abri mão de um horário de almoço para tentar construir instrumentos MIDI (pretendo fazer faculdade de música). Na base da tentativa e erro e com os materiais certos a disposição, montei o circuito necessário para que o instrumento funcionasse, programei no computador e ainda fiz uma almofada que faz massagem com motores no resto do dia. No momento estou sendo o responsável pela oficina de programação por meio da construção de instrumentos na viagem. Com um projeto que me interessava e sem medo de errar, acabei sendo capaz de gerir uma oficina voltada a um assunto que quase me repetiu de ano!

Fique de olho!

Fique de olho! A partir de 13 de junho você terá notícias constantes das nossas atividades!

Expedição MundoMaker, por Sergio

Um dos significados da palavra EXPEDIÇÃO é o seguinte: ato ou efeito de fazer com que algo chegue a seu destino. E eu me coloco aqui a pensar no turbilhão de pessoas, ideias, desejos, certezas e incertezas que possam ter um destino.

A palavra DESTINO parece soar como um único caminho possível, por mais ardiloso e árido que possa ser o trajeto, essa palavra se apresenta muitas vezes como uma determinante, mas como a arte subverte a palavra e seus significados, façamos uso dos versos de Drummond para quebrar todas as amarras de significado:

Lutar com palavras / é a luta mais vã./ Entanto lutamos / mal rompe a manhã. / São muitas, eu pouco.

Recorro aos significados e ao poeta para desvelar que o ato, a ação, ou até mesmo o simples olhar rompem com o poder de muitas palavras, e é isso que Expedição MundoMaker tem feito por onde passa, essa coluna que tem vários cavaleiros da esperança tem semeado possibilidades inventivas e tem feito em seus atos o romper com o linear, provocando a dúvida, fomentando a curiosidade e o desejo do saber.

Em seu caminhão com as cores da esperança, repleto de traquitanas para desenferrujar a mente inventiva no corpo do adulto e estimular o desenvolvimento das mais instigantes aventuras que habitam o imaginário das crianças e dos adolescentes, eles estão perambulando o Brasil na mais nobre tarefa de hipnotizar olhares que enxergam a descoberta, de despertar risos de prazer ao aprender, e de colocar uma inquietação nos corpos para podermos repensar os moldes e modelos educativos que não queremos.

O que temos visto é que o mundo fora dos muros da escola se apresenta veloz e sedutor com as diferentes formas de pensar e criar, a escola parada na janela assiste ao seu próprio descompasso cardíaco, que paralisava o corpo com suas grades curriculares, seus conteúdos programáticos e suas disciplinas, palavras que personificam um universo duro e conservador.

O mundo é a gente que faz, ou seja, “faça você mesmo” a diferença, pratique a criatividade, a gentileza, a cooperação.

Por que nesta Expedição O Mundo é Maker!

‪#‎expedicaomundomaker

Sergio Daniel Ferreira (embaixador São Carlos)