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Como construir uma boa rubrica de avaliação

A partir daqui preparamos um infográfico especial para ajudar você na hora de definir critérios para construir uma boa rubrica de avaliação.

*Originalmente publicado no Porvir

Desenvolvimento integral do professor vai além do olhar para o socioemocional

Duas experiências internacionais de formações para educadores fortalecem a conexão entre múltiplas dimensões do ser humano

Formar um professor que além de dominar o conteúdo, saiba entender suas emoções e estabelecer relações positivas com seus pares e alunos demanda um olhar para o desenvolvimento integral. Até que ele ou ela entendam que o aluno precisa avançar em diferentes dimensões, o caminho profissional deve ser acompanhado de um constante trabalho de autoconhecimento.

A pesquisa Observatório do Professor, realizada pelo Instituto Península em parceria com a Ps2P, sinaliza que o desenvolvimento integral dos professores deve começar na formação inicial, com atividades práticas, de reflexão e conteúdos que preparem os profissionais para as realidades que vão encontrar em sala de aula. Na formação continuada, por sua vez, a formação integral pode envolver questões que vão além do conteúdo e abarcam, por exemplo, o fortalecimento do professor em suas relações e emoções, assim como uma maior compreensão da realidade onde a escola está inserida.

Considerando essa gama de conteúdos possíveis, o que significa formar um professor integralmente? Quais são as estratégias para fazê-lo? Para Mariana Breim, diretora da plataforma Vivescer e de desenvolvimento integral do Instituto Península, incentivar o desenvolvimento integral é encarar o professor como um ser inteiro, composto por inúmeras dimensões: o corpo, propósito pessoal, a dimensão socioemocional, moral e muitas outras.

“Todas essas dimensões colaboram para compor um ser completo, que precisa estar inteiramente disponível na relação com o aluno, para que possa proporcionar um desenvolvimento integral a ele. É necessário ensinar o professor não só a alfabetizar, mas também como criar um clima de conexão e abertura dentro de sala de aula, como deve regular as próprias emoções e, com isso, ajudar que os estudantes façam o mesmo”, exemplifica Mariana.

O professor precisa estar saudável em sala de aula, precisa cuidar de si, da voz, das emoções e de seu equilíbrio, porque só assim é que vai poder desenvolver nos alunos competências gerais de autoconhecimento e autocuidado

Essa conexão entre o bem-estar emocional e autocuidado do docente com sua prática em sala de aula é defendida pela nota técnica Desenvolvimento Integral de Professores, elaborada pelo Instituto Península. No trecho “É preciso que os professores apresentem um bom grau de maturidade emocional além de confiança em sua capacidade de trabalho e clareza de estratégias didáticas adequadas”, fica claro que, além de um trabalho com as competências socioemocionais, o desenvolvimento integral docente diz respeito também a competências cognitivas e híbridas, que misturam as outras duas. “Tudo começa com autoconhecimento e autocuidado. O professor precisa estar saudável em sala de aula, precisa cuidar de si, da voz, das emoções e de seu equilíbrio, porque só assim é que vai poder desenvolver nos alunos competências gerais de autoconhecimento e autocuidado”, explica Mariana.

Porvir conversou recentemente com dois centros nos Estados Unidos dedicados a promover esse tipo de abordagem. O Center for Reaching & Teaching the Whole Child, na Califórnia, nasceu em 2009 como um projeto da Universidade de San Jose State com o propósito de trazer um olhar cultural para a prática docente. A educadora Nancy Markowitz, fundadora da instituição, afirma que durante muito tempo a discussão socioemocional nos Estados Unidos ignorou o contexto cultural e racial. Hoje, como um projeto autônomo, a ONG (Organização Não Governamental) oferece cursos de formação destinados trazer esse trabalho reflexivo para dentro das universidades e também de secretarias de ensino.

Para isso, o centro desenvolveu um modelo de “competências-âncora”, que Nancy compara ao uso de lentes que permitem ao professor enxergar suas capacidades e desenvolvê-las de maneira contínua e adaptada às necessidades de sua sala de aula. A fundadora do CRTWC explica que a abordagem tenta conscientizar o professor de que o lado socioemocional, as questões relacionadas a traumas ou a prática de meditação não devem ser tratadas de forma isolada. “Nosso modelo reúne todas essas questões porque, no final das contas, mindfulness (técnica de atenção plena) é parte da autorreflexão, que por sua vez está ligada a uma de nossas competências-âncora. E essa é uma questão que tanto os alunos quanto os professores precisam trabalhar”, afirma.

Professores podem ter contato com as intervenções do CRTWC tanto na fase de formação inicial, quando estão no período de residência pedagógica, como quando já estão de fato estabelecidos em sala de aula. Na Califórnia, por exemplo, o centro oferece formação para líderes pedagógicos, que atuam como multiplicadores em suas secretarias.

Quando os professores ainda estão ligados a um curso de formação inicial, o programa chega a durar um ano. Nestes casos, o desenvolvimento da “lente” fica mais claro, segundo Nancy. “Não é um curso socioemocional, mas algo que apoia o professor no momento da aula de matemática, de alfabetização ou na hora da gestão de sala de aula”. No entanto, segundo a educadora, mesmo para aqueles profissionais com anos de sala de aula, a abordagem faz a diferença, desde que exista a abertura ao novo e a tão falada mentalidade de crescimento. “Conheço professores que estavam à beira da aposentadoria por causa de esgotamento psicológico e que passaram a assumir um papel de liderança”, conclui.

Também na Califórnia, o Greater Good Science Center, na Universidade de Berkeley, é uma instituição dedicada ao estudo da psicologia, da sociologia e da neurociência para o bem-estar. Durante o verão nos Estados Unidos (menos em época de pandemia, quando os encontros passaram a ser online), o centro reúne educadores para um curso de curta duração em que aprendem a questionar suas próprias crenças, valores e práticas sobre bem-estar, tanto no nível pessoal quanto no contato com os alunos.

A partir desse momento, esses profissionais aprendem como integrar evidências científicas e novos processos para o dia a dia de suas escolas, desde o relacionamento entre funcionários, ao clima escolar e o processo de aprendizagem. Em conversa com o Porvir, a diretora de educação Vicki Zakrzewski explicou um pouco das ideias que movem o Greater Good Science Center, criado pelo professor de psicologia Dacher Keltner.

“O professor Keltner defende que os seres humanos têm uma capacidade inata de bondade, compaixão e cooperação, mas existe uma crença de que somos egoístas, gananciosos e desconectados. Keltner sabe disso, mas entende que o lado compassivo é mais forte que o outro”, disse Vicki, que em seguida faz uma série de questionamentos.

E se pudermos reconstruir nossas instituições com essa premissa de que todos temos a capacidade de sermos gentis, cooperar e estabelecer conexões?

“Diante disso, partimos de como nos vemos como seres humanos. Se temos esses dois lados, como podemos adaptar nossas escolas? E se pudermos reconstruir nossas instituições com essa premissa de que todos temos a capacidade de sermos gentis, cooperar e estabelecer conexões? Como as escolas poderiam mudar o mundo?”.

*Originalmente publicado no porvir.org

por Maria Victória Oliveira / Vinícius de Oliveira

A culpa não é do online

Contradições na educação evidenciadas pela crise atual

José Moran
Educador e designer de ecossistemas inovadores na Educação
Blog Educação Transformadora

Tenho participado de discussões e ouvido críticas ao ambiente online como espaço inadequado
para ensinar e aprender. Muitos professores estão estressados e muitos estudantes continuam
insatisfeitos. Há uma nostalgia – em muitos – pela volta para o espaço seguro da sala de aula,
que garante a aprendizagem plena, enquanto o online seria um espaço precário, incompleto,
provisório.

O problema não está em aprendermos ou não em plataformas online. O que está revelando
este período é que a maior parte das escolas vem ensinando de uma forma inadequada, muito
conteudista, dependente do professor, com pouco envolvimento, participação e criatividade
dos estudantes.

O problema não está no online; está na falta de autonomia na formação de cada estudante, na
deficiência de domínio das competências básicas (saber pesquisar, analisar, avaliar…) e também
na gestão paternalística das aulas, da forma de ensinar: Tudo é dado pronto, como receita
fechada, prato feito, com pouca autonomia, participação e envolvimento dos aprendizes.

O online não é solução nem problema, é um ambiente que permite tanto a transmissão como a
experimentação, com algumas adaptações. Escolas e universidades que estimulam o
protagonismo do aluno, que trabalham com desafios se adaptaram rapidamente ao online,
incentivando o aluno-pesquisador, a personalização, atividades em grupo. Mas professores que
privilegiam a transmissão de conteúdo, tornam o processo cansativo, insuportável e pouco
produtivo para todos. O problema não está no online, está em privilegiar a transmissão de
informações longas, quando é possível combinar informações curtas, atraentes com desafios,
projetos, criatividade. Escolas e docentes que vinham trabalhando com desafios,
experimentação e projetos no presencial tem encontrado plataformas e aplicativos digitais que
combinam os itinerários pessoais (com flexibilidade de tempos e escolhas), as atividades
diversificadas em grupo e as de compartilhamento síncrono entre todos.

Encontramos também problemas no online. Os laboratórios virtuais 3-D e com realidade
aumentada trazem soluções muito poderosas para simulação, imersão, aprendizagem
compartilhada a distância, a um custo baixo, mas que precisam ser complementadas com
experimentações de campo, com contato físico em muitos campos profissionais para uma
efetiva calibração do desenvolvimento de cada um. Não basta realizar somente exercícios em
simuladores de voos; o estudante precisa também de voos reais com instrutores.
Por outro lado, este período longo de ida forçada para o digital revelou que podemos aprender
e ensinar de forma muito ativa, diversificada, personalizada, misturada. As crianças precisam
conviver juntas, com tutoria próxima. Mas quem já tem um domínio básico da língua, da escrita,
da linguagem dos números e computacional pode aprender com um design curricular mais
flexível, personalizado, que equilibre as diversas formas de presença física e digital; espaços,
tempos e múltiplas formas de aprender e de avaliação para desenvolver as competências
necessárias hoje como autonomia, colaboração, resiliência e criatividade.

Este período escancarou também a extrema desigualdade de acesso ao digital e de condições
de estudo e pesquisa na maioria das residências. Reforçou a necessidade de termos uma política
pública que agilize a infraestrutura digital nas escolas, a formação docente em competências
digitais e que o acesso individual e familiar à Internet seja considerado um direito fundamental
do século XXI como ter água, esgoto e energia. Ensinar e aprender hoje sem o digital é privar os
estudantes de oportunidades ricas para vivenciar dimensões importantes para sua vida pessoal,
profissional e social.

É urgente agora o compartilhamento e análise de como integrar todos os ambientes,
estratégias de ensino e aprendizagem de forma otimizada em cada etapa da aprendizagem e
de acordo com as necessidades de cada um, de cada escola, região. O digital não é uma panaceia,
mas um componente fundamental da vida moderna, que afeta todas as dimensões da nossa
existência (trabalho remoto, compras online, inserção em redes e comunidades de interesse e
de práticas…).

A partir de agora os modelos híbridos se tornarão muito mais fortes, com maior integração entre
a presença física e a digital, momentos síncronos e assíncronos. Precisamos ampliar a discussão
e divulgação das formas de visibilizar a aprendizagem também nos espaços digitais, com as
possibilidades que as plataformas oferecem – principalmente os e-portfólios- de registro,
compartilhamento, observação da avaliação de cada estudante, avaliação entre pares e
autoavaliação. A inteligência artificial começa a contribuir para conhecer as características de
como cada estudante aprende, ajudar no desenho de itinerários formativos e sugerir
alternativas personalizadas.

São muitos os desafios na educação, em ambientes presenciais e digitais, num cenário tão
complexo e carregado de incertezas. É prioritário dar ênfase e vivenciar valores humanos
fundamentais. Educadores, gestores, estudantes e famílias precisam insistir em construir
relações inclusivas, de afeto, de conhecimento, abertas ao diálogo, a partir de questões reais,
de experimentação, pesquisa, de projetos socialmente relevantes onde os estudantes sejam
protagonistas e utilizem todos os meios e tecnologias possíveis.

Temos que rever o currículo neste período, com maior autonomia docente e intenso
compartilhamento de experiências, dificuldades, formas de engajar os estudantes através das
diversas plataformas e aplicativos digitais, mas também da criatividade em chegar aos mais
carentes com roteiros ativos e criativos impressos, sonoros e audiovisuais adequados para cada
necessidade.

Num horizonte de crises em todos os campos, que tendem a se agravar, é de capital importância
que educadores e gestores sejam os impulsionadores da esperança, de valores humanos, de
caminhos que inspirem projetos relevantes. Todo o conteúdo precisa ser relevante, ligado à
vida, trabalhado em relação estreita com atividades criativas e empreendedoras. Vai ficando
cada vez mais evidente que podemos aprender de múltiplas formas, em todos os espaços e em
tempos diferentes.

Precisamos avançar rapidamente no redesenho de projetos educacionais que sejam flexíveis, de
qualidade, de custo menor e de resultados mais rápidos e ágeis. Ao mesmo tempo que fazemos
as mudanças possíveis agora, neste período de transição, é importante definir um projeto
estratégico de transformação no médio prazo das escolas e instituições de ensino superior para
que realmente sejam modernas, atraentes, envolvente e relevantes nos próximos anos.

A construção de cidadãos que fazem

A construção de cidadãos que fazem

A educação integral, a cultura maker e o empreendedorismo desenvolvem competências para viver em um mundo exponencial, complexo e incerto

 

Por Fabio Zsigmond-

O termo “empreendedorismo” costuma trazer à mente a imagem daqueles seres fora do comum que usam suas ideias geniais para fundar startups. Em sua etimologia, entretanto, o sentido é mais amplo: vem do francês entreprendre, ou “realizar”; e do sânscrito Antha Prerna, que pode ser traduzido por “auto realização”. Quando um indivíduo era chamado de empreendedor, significava que era percebido como alguém que assumia a responsabilidade de buscar uma meta que lhe traria auto realização. Foi somente no século 17 que o termo foi utilizado no sentido econômico que carrega atualmente.

Sempre tive afinidade com o entendimento mais abrangente de empreendedorismo. Empreender é transformar ideias em realidade. Nossa vida é um empreendimento constante. Porém, nessa jornada percebemos que não estamos sozinhos no mundo, e que precisamos aprender a nos relacionar com três dimensões a nossa volta: com os outros, com o mundo e a natureza, e por fim, com nós mesmos. Para responder a essa demanda vejo como premente a adoção da Educação Integral em nossas sociedades. E o que seria Educação Integral? Segundo o Centro de Referência de Educação Integral,  é “uma concepção que compreende que a educação deve garantir o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões – intelectual, física, emocional, social e cultural – e se constituir como projeto coletivo, compartilhado por crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e comunidades locais”

Recentemente pensadores de variados backgrounds publicaram trabalhos que abordam esse olhar tríplice, que considero a base da Educação Integral, entre eles Patrick Paul (Formação do Sujeito e Transdisciplinaridade), Peter Senge e Daniel Goleman (O Foco Triplo, uma nova abordagem para a educação) e Satish Kumar (Solo, Alma e Sociedade).

Aprendendo a fazer

Existe uma relação direta entre o conceito amplo do empreendedorismo e a chamada cultura maker. Para além de robótica, programação, impressoras 3D

e máquinas de corte a laser, o “make” está relacionado ao “fazer”.  O maker é quem põe a mão na massa. Mas ele não faz, simplesmente, de qualquer jeito, e sim com uma atitude.

E qual seria essa atitude? O maker é curioso, resiliente, experimentador.  Explora possibilidades, erra e aprende com os erros. Diverte-se fazendo e gosta de compartilhar suas descobertas. Olha um problema e é capaz de elaborar um projeto criativo e colaborativo para resolvê-lo. E, fundamentalmente, é apaixonado pelo que faz. Essas características são muito presentes em todos nós quando vivemos a nossa infância, porém só alguns conseguem mantê-las na idade adulta.

Pesquisadores e cientistas perceberam a potencialidade dessa forma de comportamento e contribuíram para trazê-la para a educação. Entre eles estão John Dewey, Seymour Papert e Mitch Resnick.  Este último desenvolveu o conceito de Aprendizagem Criativa, a partir das ideias de Frederick Froebel, o criador do Jardim da Infância, e das descobertas de Dewey e Papert em relação ao que potencializa a aprendizagem, como o papel do fazer e a importância do contexto e do sentido da atividade proposta para o aluno. A Aprendizagem Criativa é uma  filosofia de educação baseada em quatro pilares (4Ps): Projects, Passion, Peer Learning e Play. Trata-se de uma prática pedagógica baseada em projetos (Projects), em que os alunos são movidos pelo que tem significado para eles (Passion), trabalham de forma colaborativa (Peer Learning) e  são valorizados por competências como curiosidade, criatividade e resiliência (Play).

A introdução de práticas ligadas à Educação Integral e Aprendizagem Criativa na educação abre caminho para encontramos a solução para os problemas cada vez mais complexos que enfrentaremos. A população mundial levou 200 mil anos para chegar a um bilhão de pessoas, e somente 200 anos para ir de um para sete bilhões. Crescem exponencialmente também a produção de CO2, a utilização de água, o desmatamento de florestas e a extinção das espécies (veja gráfico). Vivemos ainda uma época extremamente complexa e incerta, com uma profusão de informações difíceis de serem claramente interligadas. A ubiquidade do uso de tecnologias digitais permitiu o surgimento de um repositório gigantesco de dados, que se transformou no objeto de maior valor que temos hoje em dia, concentrado em praticamente cinco organizações: Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Google, e um governo, o Chinês.

Quais competências e qualificações nos habilitam a compreender e atuar neste contexto? Não é muito difícil perceber que sem saber o que chamamos de Ciência dos Dados e Programação de Computadores, ficaremos à margem do núcleo que decidirá os rumos da humanidade. Mas isso não basta. Iremos precisar de cidadãos empreendedores, acostumados com a cultura maker. Guiados pela ética e com habilidades tais como colaboração, criatividade e autoconhecimento, terão a capacidade de pensar criticamente e trazer suas ideias para a realidade, contribuindo para a construção de um mundo mais justo, sustentável e confortável.

Novas propostas

Já temos escolas e universidades no Brasil e no mundo que praticam uma educação que responde aos desafios da exponencialidade, da complexidade e da incerteza. São propostas de uma Educação Integral fundamentada em valores éticos, cultura maker e na postura empreendedora. Como exemplos de ensino básico poderia citar o Projeto Âncora em Cotia, na Grande São Paulo, a Glashan Public School em Ottawa, no Canadá , e a Green School em Bali, na Indonésia, cada uma com sua particularidade e respeito às características de sua comunidade. No ensino superior, eu citaria os cursos de engenharia do Insper e o de medicina do Hospital Israelita Albert Einsten, em que os alunos são colocados, desde o início, em contato com questões reais e precisam mobilizar diversas dimensões e conhecimentos para abordá-los e resolvê-los.

Não é por acaso que, dentre os 10 professores finalistas do “Global Teacher Prize” de 2019 – o   equivalente ao prêmio Nobel da educação –, tivemos a brasileira Debora Garofalo, que utiliza a Aprendizagem Criativa no projeto Robótica com Sucata em uma escola pública de SP; e que um dos filmes de maior sucesso este ano no Netflix, “O Menino que Descobriu o Vento”, conta a história, baseada em fatos reais, de um jovem que vive no Malawi em condições de seca e pobreza e que criou uma solução criativa para resolver o problema de falta de água para a  agricultura de seu vilarejo.  

O mundo está mudando rapidamente e as fórmulas antigas não resolvem mais as complexas equações do nosso tempo. Para preparar nossos jovens e também para nos mantermos vivos e atuantes, precisamos buscar propostas de educação que levem em consideração a velocidade, a complexidade e incertezas do mundo. Além de ensinarem as tecnologias, essas novas propostas devem reconhecer que somos seres humanos, que estamos no centro do nosso processo de aprendizagem e que temos também uma natureza tríplice, o que nos leva a ter que aprender a nos relacionar com nós mesmos, com os outros e a sociedade em geral, e com o mundo, a natureza e seus sistemas.

Temos dentro de nós, e também ao nosso redor, recursos para criar coletivamente  soluções para os problemas que se colocam à nossa frente.  Sejamos ousados e deixemo-nos abrir ao novo, permitindo que, na relação entre nossa experiência e o contato com o novo e desconhecido, encontremos caminhos criativos.

Fabio Zsigmond > CEO do MundoMaker Educação> fabio@mundomaker.cc

Para saber mais:

Zsigond, F. Educação 4.0, como ir da teoria a prática, 2019. Disponível  em: https://www.youtube.com/watch?v=2riq9uIHf5U&t=2362s

Tony Wagner e  Robert A. Compton. Creating Innovators: The Making of Young People Who Will Change the World. New York: Scribner, 2012

Edward P. Clapp , Jessica Ross, Jennifer O. Ryan e  Shari Tishman. Maker-Centered Learning, empowering young people to shape their worlds. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, 2017

Sylvia Libow Martinez e Gary S. Stager. Invent to Learn: Making, Tinkering, and Engeneering in the Classroom. Torrence, California: Constructing Modern Knoledge Press, 2019

Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, Site Aprendizagem Criativa. Disponível em: www.aprendizagemcriativa.org

Site: www.mundomaker.cc/referencias

ARTE (Para entender melhor escala de construção do gráfico, veja: https://endofcapitalism.files.wordpress.com/2008/10/exponent.jpg

A escola Indiana onde ensinar ‘felicidade’ é mais importante que matemática

Montagem 3D de um pátio da escola, com alunos andando e brincando uniformizados

Boas vidas com grandes realizações são construídas sobre felicidade pessoal e inteligência emocional, duas coisas negligenciadas pela educação tradicional. Pelo menos é o que pensam os idealizadores da Riverbend School, uma escola na Índia que pretende formar alunos felizes e aptos para melhorar o mundo.

O projeto é de Vivek Reddy e Kiran Reddy, que têm experiência no empreendedorismo e agora buscam levar novos conceitos para a educação. As palavras de Kiran sobre a escola são profundas:

“Penso que, num ponto de vista ocidental, você tende a acreditar que o ambiente controla sua felicidade. Logo, você tenta controlar seu ambiente. Numa filosofia oriental, você tende a acreditar que você controla a felicidade através de sua mente – no modo como percebe as coisas -, então é possível desconectar o ambiente de sua felicidade. Idealmente, é isso que queremos ensinar às crianças”, declarou.

Na Riverbend, em vez de seguir um currículo tradicional, os próprios alunos poderão decidir o que querem aprender. “O dia pode começar com meditação ou basquete, seguido por uma manhã reprogramando um software ou recitando poemas clássicos indianos, um almoço com os amigos e uma tarde trabalhando numa incubadora de negócios dentro do campus”, dizem os idealizadores.

Os educadores vão focar na mentoria dos estudantes, ajudando-os a aprender a pensar de forma independente. O objetivo é ensinar a aprender sobre os assuntos que interessam a cada aluno, e depois integrando esse conhecimento a uma gama mais vasta de matérias.

“Se você pensa em escolas tradicionais, a prioridade é a aquisição de conhecimento – encher a cabeça das crianças com informação, depois habilidades, e, com sorte, talvez sua escola se importe com a personalidade, o caráter e o tipo de pessoa que você é”, diz Danish Kurani, responsável pelo projeto arquitetônico da escola.

“Eles me disseram que querem inverter o modelo”, conta ao explicar a proposta de Vivek e Kiran. “Vamos focar primeiro e principalmente no caráter dos estudantes e em sua personalidade. Queremos cultivar crianças felizes, pessoas compassivas, que vão sair para o mundo e fazer algo bom”.

O projeto de Kurani é inspirado em um estudo de Harvard sobre a felicidade, que aponta serem as fortes relações interpessoais a chave para a felicidade. Ao pesquisar e descobrir que o formato das aldeias tende a formar relações mais sólidas, ele decidiu fazer com que o campus imitasse uma aldeia.

No centro de tudo fica o espaço de convívio comum, rodeado pelo ambiente acadêmico. No anel exterior ficam os dormitórios (pois os alunos passarão toda a semana na Riverbend) e quadras e jardins para estimular a diversão.

“A escola é centrada em torno de uma praça central pública e tem espaços para estudar, brincar, refletir, viver e plantar. Todo aspecto do projeto encoraja a socialização”, diz Kurani.

Os responsáveis pelo projeto, que começará a ser construído ainda em 2018 e tem previsão de inauguração para 2020, ainda estão trabalhando para resolver o descompasso entre seu modelo e as leis educacionais indianas. Eles entendem que não será uma escola para todos, mas que pelo menos alguns se identificarão com a filosofia.

“As pessoas buscam universidades e carreiras bem sucedidas porque, no fim das contas, querem ser felizes. Pode ser que faça sentido focar nesse objetivo de forma mais direta”, conclui Kiran Reddy.

*Originalmente publicado no Hypeness.

Palestra: Educação Empreendedora – como ir da teoria à prática

Fábio Zsigmond está num palco com um microfone na mão. Atrás dele, sofás e um telão de projeção de mídia. A imagem está escurecida e contém um botão de player de vídeo.

Receber o seu salário mensal 30 vezes em um mês ou receber um centavo e dobrar o valor todo dia por um mês.

O que você prefere?

Assista a palestra que Fábio Zsigmond apresentou no Let’s Go Festival e saiba porque temos que mudar a forma que pensamos a educação para poder lidar com um mundo cada vez mais incerto, complexo e exponencial em que vivemos.

 

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