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15 filmes com histórias de professores inspiradores

Um professor pode fazer toda a diferença na vida do seu aluno. Conheça 15 filmes que mostram o papel transformador da educação e a importância do trabalho desempenhado por um docente comprometido:

Sociedade dos poetas mortos

Encantar os alunos com a disciplina de literatura foi apenas uma parte do trabalho feito pelo professor John Keating (Robin Williams). Quando começou a dar aulas na tradicional escola preparatória Welton Academy, ele passou a utilizar métodos para retirar os alunos de uma posição passiva e transformá-los em livres pensadores, que perseguem seus interesses e vocações.

Mentes perigosas

Ao perceber que os métodos convencionais não estavam conseguindo chamar a atenção da sua classe, a professora LouAnne Johnson (Michelle Pfeiffer) decidiu inovar. Para motivar os seus alunos, ela começou a trazer para suas aulas assuntos que estavam relacionados ao universo deles, como o Karatê ou as músicas de Bob Dylan. Com essas estratégias, ela conseguiu se aproximar dos estudantes e mostrar que era possível repensar as práticas pedagógicas. O filme é baseado em uma história verídica de uma educadora norte-americana.

Ao mestre, com carinho

Mark Thackeray (Sidney Poitier) é um engenheiro que, ao perder o emprego, resolve dar aulas em Londres. Ele começa a ensinar alunos majoritariamente brancos em uma escola no bairro operário de East End. Thackeray se depara com adolescentes determinados a destruir suas aulas, mas não desiste de seus alunos e luta para mostrar a eles uma nova forma de aprendizado.

Coach Carter: Treino para a Vida

Em uma escola com altas taxas de repetência e evasão, o dono de uma loja de artigos esportivos Ken Carter (Samuel L. Jackson) aceitou o convite para se tornar técnico do time de um time de basquete que já colecionava derrotas. Enquanto treinava o grupo para vencer as competições, ele demostrava preocupação com o desempenho escolar dos jogadores. O filme mostra como o técnico acreditou no potencial dos alunos e desafiou que eles fossem além das suas limitações.

Matilda

Demostrando que era uma garota com altas habilidades, Matilda (Mara Wilson) era incompreendida pelos pais. No entanto, na escola ela encontrou uma professora que notou o seu potencial. Em diversos momento do filme, Jennifer Honey (Embeth Davidtz) mostra como um professor inspirador e afetuoso pode ser importante para um estudante.

Preciosa – Uma história de esperança

Um bom professor consegue ir além dos conteúdos. E foi exatamente isso que ajudou a fazer diferença na vida da adolescente Claireece Preciosa Jones (Gabourey Sidibe), que frequentemente era discriminada por ser negra e obesa. Aos 16 anos, ela vive em um ambiente hostil, privada de uma série de direitos e violentada pelos pais. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é expulsa da sua escola e vai para uma instituições educacional que também recebe outros alunos que não se adaptaram ao local onde estudavam. Lá a menina encontra a professora Mrs. Rain (Paula Patton), que incentiva os alunos a escrever para expressar o que estavam sentindo e enfrentar os desafios das suas vidas.

O milagre de Anne Sullivan

Para ajudar a sua aluna surda e cega conseguir se adaptar e aprender, a professora Anne Sullivan (Anne Bancroft) é incansável. Em determinado momento, ela também questiona o papel desempenhado pelos pais, que sempre sentiram pena da menina e nunca estimularam que ela também pudesse aprender como qualquer outra criança. O filme é baseado na história real de Helen Keller, uma escritora e ativista social norte-americana que foi reconhecida por ser a primeira surda e cega a receber um diploma de bacharelado.

Escritores da Liberdade

Baseado em uma história real, o filme conta a história da novata professora Erin Grunwell, que chega a uma escola marcada por separatismos e preconceitos raciais. Obstinada a mudar a realidade da escola e de seus estudantes, a docente parte das histórias dos jovens para promover transformação.

A Voz do Coração

O professor Clément Mathieu assume a missão de ensinar música a crianças de um pensionato. Contrariando os métodos rígidos utilizados para conter as crianças indisciplinadas, o professor estrutura um coral e modifica as relações existentes.

O Sorriso de Monalisa

A recém-formada Katherine Watson é contratada para lecionar História da Arte na Wellesley College, uma escola só para mulheres. Além de lecionar, a educadora começa a confrontar os valores conservadores da instituição e a mostrar às suas alunas, de famílias tradicionais, que elas poderiam querer mais do que se casar no futuro.

O Aluno

O filme reconta a história de Kimani Maruge Ng’ang’a, um queniano que foi preso e torturado por lutar pela liberdade de seu país. Aos 84 anos, quando soube de um programa governamental de escolas para todos, Maruge se candidata a uma escola primária que atende crianças de seis anos de idade. Sua entrada acontece graças ao apoio de uma das professoras e ele também se torna um grande educador.

Entre os muros da escola

Filme francês vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2008. Conta a história de François Marin (François Bégaudeau), que trabalha como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio, localizada na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam algo ao longo do ano letivo.

O substituto

Henry Barthes é um professor brilhante com um verdadeiro talento para se conectar com seus alunos. Mas, assombrado por um passado conturbado, ele escolhe ser professor substituto – nunca na mesma escola por mais que algumas semanas, nunca permanecendo tempo suficiente para formar qualquer relação com os alunos ou colegas. Uma profissão perfeita para alguém que busca se esconder ao ar livre. Quando uma nova missão o coloca numa decadente escola pública, o isolado mundo de Henry é exposto por três mulheres que mudam a sua visão sobre a vida: uma estudante, uma professora e uma adolescente fugitiva.

Gênio Indomável

Will é um rapaz brilhante e tem um grande talento para a matemática, mas trabalha como faxineiro em uma universidade. O psicólogo Sean Maguire o ajuda a formar sua identidade, direcionando-o na vida.

Mr. Holland – Adorável Professor

Richard Dreyfuss vive o compositor Glenn Holland, que aceita ser professor para conseguir pagar as contas enquanto tenta compor a obra que deixará sua marca no mundo musical. Com o passar do tempo, a convivência com os alunos se torna uma realização para ele.

Fontes: Porvir, Guia da Semana e Carta Educação

Saiba tudo sobre a Maker Share, comunidade para os amantes da cultura maker

Boa notícia para os empreendedores: a Make Magazine divulgou o lançamento do Maker Share, um hub para que fabricantes compartilhem seus projetos e encontrem novas oportunidades de aprender, conectar e contribuir. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Intel como uma plataforma online para inovação e colaboração. Para participar, basta se registrar como criador no MakerShare.com, criar um perfil e começar a adicionar projetos ao seu portfólio (pense no seu portfólio como algo que reflita seus interesses e sua identidade).

Mas como você explica aos outros o que faz? Simples: por meio de vídeos demonstrativos de cerca de dois minutos. Um bom vídeo explica o que você fez e como conseguiu fazê-lo – e também deve falar sobre por que você conseguiu (aprenda a criar vídeos aqui). Trata-se de uma oportunidade única para conectar fabricantes em todo o mundo.

O ato de compartilhar é o que cria a comunidade maker. Aprendemos com o trabalho uns dos outros e nos inspiramos ao ver o que os outros podem fazer. Podemos trabalhar juntos para fazer coisas que talvez não possamos fazer sozinhos. O Maker Share é um lugar onde você pode contribuir com suas habilidades para missões e ajudar a resolver problemas de outras pessoas. Uma de suas primeiras missões é ajudar a criar um dispositivo para ajudar Malia, uma garota de 11 anos, a se comunicar com seus amigos. Há muitos, muitos problemas a serem resolvidos.

Existe um poder real em pertencer a uma comunidade e interagir com membros que gostam de ajudar uns aos outros. Rajiv Mongia, da Intel, foi “descoberto” no Maker Share por um amigo do ensino médio que lhe enviou uma mensagem em seu perfil. O filho desse amigo tem problemas de comunicação muito parecidos com os de Malia e ele se mostrou muito interessado em descobrir o que a comunidade pode fazer para crianças como a sua. Veja outros projetos interessantes que você pode encontrar no Maker Share:

Tepmachcha: Aviso prévio de inundação no Camboja, por Rob Ryan-Silva – O Tepmachcha é um medidor projetado para alertar antecipadamente sobre condições de inundação, provocando uma chamada de voz para residentes afetados por meio do sistema de resposta de voz interativa RapidPro (IVR).

Detector de raios, de Wayne Roshida – Detector capaz de indicar relâmpagos a várias centenas de quilômetros de distância.

Divulgue o que você faz e encontre outros como você que compartilham a paixão por fazer e valores como criatividade, generosidade e bondade. Use suas habilidades e talentos para moldar o mundo para melhor. Faça parte do Maker Share!

“Temos que ensinar nossas crianças a ter empatia pelos outros e pelo mundo”, defende Daniel Goleman

Um número crescente de escolas públicas em áreas de baixa renda começou a usar espaços maker móveis, alojados em ônibus escolares remodelados ou em outros veículos, para colocar seus alunos em contato com ciências, tecnologia, engenharia e matemática – quarteto conhecido como STEM, em inglês (Science, Technology, Engineering and Math). A iniciativa acompanha uma tendência já seguida por escolas com escassez de dinheiro, que veem nas salas móveis a chance de oferecer experiências aos alunos que seriam muito onerosas caso fossem realizadas dentro do ambiente escolar.

Esses laboratórios móveis têm como inspiração o movimento “do it yourself” (ou “faça você mesmo”, em livre tradução) e oferecem aos alunos vivências mão na massa em áreas como programação, impressão em 3D e design de videogames. Defensores da iniciativa esperam que a exposição a áreas e carreiras que os alunos não teriam contato de outra maneira, como ciências, programação e engenharia, leve a um aumento do número de estudantes de baixa renda nessas profissões, em que tradicionalmente são pouco representados.

“Nos últimos anos, os educadores começaram a perceber que esse tipo de iniciativa é uma maneira realmente poderosa de engajar os jovens e fazê-los ter mais interesse pela ciência”, diz Edward Price, professor de física da San Marcos, Universidade Estadual da Califórnia. “Estudantes de classes sociais mais baixas geralmente têm noções muito estereotipadas sobre o que a ciência é ou o que um matemático faz. Se essas áreas se tornarem de seu interesse, definitivamente seu desempenho será maior”, afirma William Schmidt, professor de educação e estatística da Michigan State University.

Um “geekbus” para incentivar novos horizontes

Espaços makers móveis podem seguir diferentes estratégias. Alguns focam em atividades depois do horário da escola ou durante as férias, enquanto outros oferecem oportunidades durante o dia escolar. Eles podem ser de propriedade das próprias escolas ou resultado de parcerias realizadas com organizações sem fins lucrativos.

O Geekbus, iniciativa realizada em San Antonio, Texas, por uma organização sem fins lucrativos, visita escolas na cidade ou nos arredores desde 2014, proporcionando sessões mão na massa a pequenos grupos de alunos que duram cerca de duas horas. O objetivo é expor as crianças de comunidades de baixa renda a possíveis caminhos de carreira que talvez não tenham tido conhecimento até então.

83% dos estudantes atendidos pelo ônibus frequentam escolas públicas ou que tenham alta porcentagem de estudantes de famílias de baixa renda. A composição dos participantes varia de acordo com a sessão: às vezes, a escola seleciona estudantes com base em nível ou classe; em outras, recompensam estudantes com notas especialmente altas ou escolhe estudantes que tenham um mau desempenho na tentativa de ajudá-los a descobrir algum talento oculto.

O Geekbus pretende manter um índice de 50-50 entre estudantes do sexo masculino e feminino. A ideia a alterar o cenário atual – segundo pesquisas, menos de um quarto de todos os empregos de STEM nos Estados Unidos são ocupados por mulheres, uma vez que, a partir dos seis anos de idade, meninas já são induzidas à ideia de que “garotos são mais brilhantes”.

O verdadeiro objetivo: uma mudança de mentalidade

O STE(A)M (Science, Techonology, Arts and Math) Truck, de Atlanta, adota uma abordagem ligeiramente diferente. Mais que expor jovens a potenciais carreiras, o caminhão tem como objetivo principal estimular os educadores a pensar em novas formas de ensinar ciência, tecnologia, engenharia, matemática e artes na sala de aula. Os trabalhadores do caminhão incluem educadores experientes, mentores tecnológicos e artistas. “O caminhão foi projetado para transformar o ensino e a aprendizagem”, ressalta Jason Martin, diretor executivo do STE(A)M Truck.

Entre as escolas atendidas pelo caminhão está a KIPP West Atlanta Young Scholars Academy. 90% de seus alunos são provenientes de famílias de baixa renda e o financiamento escolar para educação STEM é escasso. “Para nós, contratar um professor de STEM em tempo integral é um sonho distante”, lamenta Ho-Sang, diretor da escola.

Para ajudar escolas com restrições orçamentais similares a incorporar o STEAM ao currículo, o caminhão trabalha com cerca de cinco professores do ensino fundamental e médio no decorrer de 20 dias. Essas sessões são precedidas de meses de reuniões com diretores e educadores para adaptar o programa às necessidades de cada escola. O objetivo é deixar uma marca que permaneça por muito tempo depois que o caminhão acelerar para o próximo destino. “Não queremos deixar como legado apenas ferramentas e tecnologia, mas, sim, uma mudança de mentalidade”, diz Jason Martin. “Após a experiência no caminhão maker, esperamos que os professores tenham uma mentalidade diferente e vejam além de como as coisas são tradicionalmente feitas.”

Expedição Pará: no Brasil também é possível

O MundoMaker acredita fortemente que é possível transportar a experiência maker móvel para o Brasil. No ano passado, vivenciamos a ideia de perto: entre os dias 13 de junho e 27 de agosto, instituições de ensino de diferentes estados receberam a visita do Truck MundoMaker, um laboratório maker sobre rodas, equipado com materiais e ferramentas diversas que iam de fita crepe e placas de acrílico a impressora 3D, cortadora a laser e wi-fi.

A expedição ofereceu às instituições o contato com a prática da aprendizagem criativa: desenvolver projetos significativos para os jovens, levando em consideração o diálogo entre os pares, a criatividade, o respeito, o pensamento crítico, o planejamento, a resiliência e a possibilidade de errar como parte do processo de aprendizagem.

Nosso principal objetivo era despertar a curiosidade e o interesse das crianças e educadores pelo “fazer manual” por meio de propostas de projetos que uniam equipamentos sofisticados e ferramentas acessíveis, mesclando robótica e programação com marcenaria. Durante 77 dias de expedição, impactamos 2.500 pessoas, crianças e educadores, de 152 escolas públicas ou ONGs.

Uma expedição como essa também serve para a formação prática de educadores. Contamos com o trabalho de 35 educadores expedicionários ao longo da viagem, que estavam sempre dispostos a dar o melhor de si em cada parada, garantindo que a experiência fosse inspiradora para todos os envolvidos (saiba mais sobre a expedição aqui, na página do Facebook ou no nosso canal no YouTube).

E que venham mais iniciativas como essas!

Fonte: The Christian Science Monitor

Para transformar o mundo é preciso muito mais que boas notas, conclui pesquisa

Nos Estados Unidos, o aluno que obtém a média mais alta durante os quatros anos de ensino secundário é escolhido o orador da turma e classificado como valedictoriano. Já aquele que atinge a segunda média mais alta é encarregado do discurso de abertura da formatura e conhecido como salutatoriano.

Intrigada com o futuro desses jovens que se destacaram tanto na escola, a pesquisadora do Boston College Karen Arnold investigou a trajetória de 81 valedictorianos e salutarianos. O resultado foi positivo: 95% daqueles que fizeram pós-graduação tiveram G.P.A. (sigla para Grade Point Average ou “média de notas” em português) de 3,6 (o equivalente a um A-). Quase 90% seguiram boas carreiras profissionais, sendo que 40% estão em cargos de nível alto. Eles são confiáveis, consistentes, bem ajustados e têm boas vidas.

Mas quantos desses jovens fizeram algo para mudar o mundo ou que ao mesmo tivesse um impacto significativo na sociedade? A resposta é surpreendente: zero.

“Embora muitos tenham alcançado cargos de relevância, a maioria não aparece no rol de pessoas que obtiveram grandes conquistas”, conclui Karen Arnold.

E por que razão os número um na escola raramente se tornam os número um na vida real? Há dois motivos. Primeiro: as escolas recompensam os alunos que fazem consistentemente o que é dito a eles. As notas acadêmicas pouco têm a ver com inteligência e muito mais com autodisciplina e capacidade de seguir regras. Muitos dos valedictorianos admitiram não ser a pessoa mais inteligente da sala, apenas o mais esforçado. Outros disseram que era mais uma questão de dar aos professores o que eles queriam do que saber o conteúdo. A maioria dos entrevistados da pesquisa considerava seu objetivo obter boas notas, não necessariamente aprender.

O segundo motivo é que as escolas recompensam aqueles que são generalistas e ignoram suas paixões. Os valedictorianos são intensamente pragmáticos e priorizam a nota alta em detrimento de seus talentos. “Eles são extremamente bem-sucedidos, mas nunca foram dedicados a uma única área em que colocaram toda a sua paixão. Isso geralmente não é uma receita para que a pessoa se destaque”, afirma Karen. Infelizmente, estudantes que têm uma paixão e querem se concentrar nela são constantemente sufocados pela escola. Não à toa, uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard mostrou que o GPA médio de mais de 700 milionários norte-americanos era de 2.9 (o equivalente a um B).

A escola tem regras claras. A vida, não. Quando saem da sala de aula e descobrem que não há um caminho claro a seguir, os alunos “nota A” entram em pane. Karen é categórica: “Esses jovens não serão os visionários do futuro, uma vez que se adéquam ao sistema ao invés de transformá-lo”. Está na hora de repensar o ensino.

 

Fonte: Barking Up The Wrong Tree: The Surprising Science Behind Why Everything You Know About Success Is (Mostly) Wrong, de Eric Barker – em tradução livre, Latindo para a árvore errada: a ciência por trás do porquê tudo o que você sabe sobre sucesso está (na maior parte das vezes) errado.

80% dos estudantes brasileiros dizem sentir ansiedade durante provas

Segundo o relatório do Pisa, a ansiedade diante das provas não parece estar ligada a um excesso de avaliações, já que os porcentuais de alunos ansiosos foram parecidos em países que fazem avaliações padronizadas com frequência e aqueles que as realizam menos. “Não é a frequência dos exames, mas a percepção dos alunos sobre essas provas serem mais ou menos ameaçadoras”, diz o relatório. A pesquisa sugere que os professores podem reduzir o estresse ao ensinar métodos eficientes de estudo, revisar o conteúdo cobrado em provas e fazer simulados. “A forma como os professores se comunicam com eles sobre as tarefas e as provas é muito importante. Sob pressão para melhorar o desempenho dos alunos, os professores tendem a enfatizar que eles precisam se sair bem nas provas para conseguir um bom emprego ou vaga na universidade, mas essa abordagem pelo medo pode fazer com que se sintam ameaçados e muito mais ansiosos”, argumenta o estudo.

Para Batista, nas escolas brasileiras há ainda uma forte crença na reprovação do aluno como um recurso pedagógico para que ele aprenda a se esforçar mais. “A reprovação seria unicamente resultante de sua irresponsabilidade e falta de esforço, nunca um problema no modo de ensinar e na ausência de intervenções precoces para corrigir distintos ritmos de aprendizagem.”

Interferências externas

De acordo com o estudo, é preciso ficar atento ao excesso de interferência dos pais e amigos na vida escolar do aluno. Entre os jovens analisados, aqueles que tinham uma motivação intrínseca, ou seja, que se moviam por um interesse próprio de alcançar o sucesso, se sentiam menos ansiosos que os que tinham uma motivação externa, produzida pela pressão dos outros. Nas palavras da OCDE, a motivação proveniente por pessoas de fora pode levar a um “perfeccionismo incapacitante”.

Fontes: The Economist e O Estado de S.Paulo

Oito em cada dez estudantes brasileiros dizem sentir muita ansiedade para uma prova, mesmo quando se prepararam para ela. Os dados fazem parte de um questionário com foco no bem-estar de estudantes de 15 anos, aplicado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês). A pesquisa foi realizada com mais de meio milhão de estudantes de 72 países e divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Brasil é o segundo país com o maior porcentual de estudantes que dizem ficar ansiosos durante as avaliações (80,8%), atrás apenas da Costa Rica (com 81,2%). A taxa brasileira é muito superior a média dos países da OCDE, que foi de 55,5%. Para 56% dos alunos brasileiros, estudar também gera muita tensão – na média dos países da OCDE, 36,6% dos estudantes se sentem tensos quando estudam.

De acordo com o relatório, a ansiedade com as lições de casa e provas está relacionada a uma pior performance em ciência, matemática e leitura. Em geral, 63% dos estudantes com os menores rendimentos em ciências e 46% dos que têm maior rendimento dizem sentir ansiedade para as provas. Para especialistas, a cultura avaliativa das escolas brasileiras contribui para que os estudantes se sintam pressionados e, como consequência, ansiosos durante as provas e momentos de estudo. “A cultura das escolas brasileiras se volta predominantemente para duas finalidades: a classificação dos alunos em relação ao restante da turma e sua aprovação ou reprovação. Aprende-se e ensina-se para fazer provas e para passar de ano”, afirma Antônio Gomes Batista, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Para Simone André, gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna, a valorização da avaliação e sua função “punitiva” para o aluno que não sabe o conteúdo cobrado podem levar à ansiedade. “Os currículos brasileiros e nossas escolas não valorizam o erro. Errar é imprescindível como forma de aprendizado, de desenvolvimento de competências. Precisamos ajudar professores e estudantes a entender a importância do erro”.

 

“A cola deveria ser obrigatória”, diz educadora

Dos seus 83 anos de idade, 60 foram dedicados ao magistério e mais de 20 ao estudo da informática na educação. Léa Fagundes, coordenadora do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), defende um modelo de inclusão digital nas escolas em que o aluno seja protagonista do aprendizado. Em entrevista concedida ao site Terra, ela fala sobre as mudanças radicais que devem acontecer para melhorar o ensino.

Em que nível o Brasil está no que diz respeito à inclusão digital e ao uso de ferramentas computacionais em sala de aula?

O Brasil é um continente, então não dá para avaliar o país como um todo. No Amapá, é uma realidade, em Curitiba é outra. Mas, apesar de todas as diferenças, nós temos uma unidade cultural, falamos a mesma língua, e os programas dos currículos são semelhantes. Os NTEs (Núcleos de Tecnologia Educacional) e a formação dos professores que veio junto com eles avançaram muito o Brasil nessa área. Chegou um momento em que a gente teve que criar cada vez mais núcleos e, com eles, mais laboratórios de informática. Acontece que nós não queríamos mais laboratórios, porque isso não resolve a questão da inclusão.

Por que os laboratórios não são uma solução?

No mundo, e aqui no Brasil inclusive, quando começou a se falar em inclusão digital nas escolas foram instalados laboratórios. Por quê? Porque os computadores eram muito caros, então não podia ter fartura, não era possível um por aluno, e laboratórios eram mais viáveis. Mas qual o problema deles?  Na maior parte das vezes, são formados técnicos para trabalhar no local, mas o professor de sala de aula não vai ao laboratório e não se especializa. Então os alunos vão ao laboratório, depois voltam e o docente manda que eles se sentem um atrás do outro e abram o caderno, não há integração entre os momentos. Por isso nos encantamos com a ideia do OLPC (One Laptop Per Child), projeto de computador educacional iniciado no Massachusetts Institute of Technology.

Quais são as principais diferenças da inclusão digital nas escolas no Brasil em relação a outros países?

A principal diferença entre nós e países da América do Norte e da Europa é que adotamos um programa em que as crianças podem programar o computador, e não serem ensinadas por ele. Nós defendemos a linguagem Logo (criada por Seymour Papert, um dos idealizadores do OLPC) para a informática na educação. Na maior parte do mundo, são colocados computadores e um sistema para ensinar a criança, como se fosse o conteúdo passado por um professor para o aluno. Esse é outro paradigma, é uma mudança completa na escola. O estudante passa a ser investigador e a programar o computador. Agora tu me perguntas: o Brasil está melhor nessa área? Sim. Mais do que todos os países? Não. Mas, por exemplo, na França, formaram mil professores, e o computador era barato porque era nacional. Mas esse modelo também era tradicional, de professor que tem que saber mais que aluno. Para mim, não é assim, vejo o aluno como um pesquisador, e o professor, um orientador.

Como deve ocorrer essa mudança?

É importante destacar que a questão não é aprender a mexer no equipamento, nem aprender conteúdo de sala de aula no computador, é o aluno programando, pesquisando, isso exige um currículo totalmente novo. O currículo, que a gente luta para transformar, tem de ser interdisciplinar e não precisa ser sequencial. Por exemplo, quando o aluno chega para o professor e diz que tem curiosidade de aprender determinado tema, e o professor responde que não pode, porque o conteúdo é do próximo ano, isso prejudica o aprendizado. O aluno tem que ter curiosidade no que é ensinado, por isso o problema apresentado tem de ser instigante, interessante. Os alunos surpreendem a gente.

Quais são os entraves enfrentados na inclusão da tecnologia no ambiente escolar?

Nós temos bons programas nacionais de educação e informática, e nos últimos 30 anos tivemos muitos projetos de visão nacional. O problema é que, quando mudam os governos, os projetos sofrem muito, porque as pessoas que entram na nova gestão não têm conhecimento suficiente ou não querem prestigiar o partido que antecedeu, então temos tido dificuldade com a continuidade. Por outro lado, o Brasil tem uma história, e ela, apesar de interrupções, não estacionou, está avançando. E eu acredito que futuros professores vão mudar esse cenário, pois são pessoas novas que gostam de tecnologia e não têm medo.

A senhora percebe resistência de educadores ou das próprias instituições em relação às tecnologias? Há medo de romper hierarquias?

Hierarquia é a palavra-chave. Na escola, as crianças são tratadas quase ditatorialmente. Sentam-se em fila e, caso se virem, têm que justificar. Os professores dizem “não olha para o lado, não cola do colega”. A cola deveria ser obrigatória. Cola é cooperação. É uma criança colocando a dúvida, e outras tentando ajudar. Você tem avaliações em que uma só resposta é certa, e todos os alunos têm que dizer a mesma coisa. O problema não é ter apenas uma resposta certa, mas os estudantes têm que testar essas respostas e ver qual resolve melhor o problema. Mas o pior são os cursos de licenciatura, que formam professores, mas não se atualizam.

A mudança desse paradigma deve começar na universidade?

Parece que isso é ilusão, sonho. Os professores que ensinam nas universidades são doutores, famosos, escrevem teses científicas e livros. Eles não querem dar o braço a torcer e dizer “nós temos que aprender de novo”. Então o computador não entra nas licenciaturas, que é onde deve estar. As melhores licenciaturas são aquelas em que os cursos abraçam a tecnologia. Ser professor é um encantamento, e é um encantamento também em poder se atualizar.

É preciso inverter a lógica da aprendizagem, diz co-fundador do MundoMaker

O MundoMaker esteve presente na 4ª edição do Transformar 2017, evento sobre inovação na educação promovido por Fundação Lemann, Instituto Península e Porvir e realizado nessa terça-feira (4). Durante o encontro, nosso co-fundador, Fábio Zsigmond, ao lado de Jordan Budisantoso, da Washington Leadership Academy, nos Estados Unidos, falou sobre a importância de incentivar o estudante a criar e a aprender durante o processo de criação.

Zsigmond afirmou que a ideia do MundoMaker é inverter a lógica da aprendizagem, com foco em como os alunos aprendem, e não no que é ensinado. “Muitas vezes, o professor foca demais no currículo e não se o aluno está aprendendo de fato”, disse. Ele defendeu, ainda, que o espaço maker deve ter professores de todas as disciplinas para que o conteúdo seja passado de forma interdisciplinar.

Já Budisantoso destacou como a tecnologia da realidade virtual pode ser usada para ensinar na sala de aula, mesmo sem o uso de muitos recursos. “Nós ensinamos as ferramentas básicas ao aluno e depois estabelecemos desafios a serem cumpridos até o fim do projeto”, contou.

Mais de 800 pessoas estiveram presentes no Transformar 2017 e cerca de três mil assistiram ao evento pela internet.

As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Como a Finlândia e a Coréia do Sul transformaram seus sistemas educacionais

Cinquenta anos atrás, tanto a Coréia do Sul quanto a Finlândia tinham sistemas educacionais terríveis. A Finlândia estava em risco de se tornar o “enteado” econômico da Europa e a Coréia do Sul havia sido devastada pela guerra civil. No entanto, ao longo do último meio século, ambos transformaram suas escolas e agora são aclamados internacionalmente por seus resultados educacionais extremamente elevados.

O MundoMaker está totalmente alinhado com o formato da Finlândia e acredita que é preciso repensar o método de ensino atual e fazer mudanças profundas. A reportagem abaixo analisa os dois modelos de educação e tem como objetivo fazer você refletir, avaliar e saber o que é feito em outros cantos do mundo.

O modelo coreano: determinação e trabalho duro, muito duro.

Por milênios, em algumas partes da Ásia, a única maneira de ascender à escalada socioeconômica e encontrar um trabalho seguro era passar por um exame no qual o fiscal agia como um “substituto do imperador”, diz Marc Tucker, presidente e CEO do National Center on Education and the Economy (Centro Nacional de Educação e Economia). O exame exigia um completo domínio de conhecimentos e era um penoso rito de passagem. Hoje, muitos dos países do confucionismo ainda respeitam o tipo de conquista educacional que é obtida por meio de um teste de cultura.

Entre esses países, a Coréia do Sul se destaca como o mais extremo, e sem dúvida, o mais bem-sucedido. Os coreanos alcançaram um feito notável: o país está 100% alfabetizado e na vanguarda dos testes comparativos internacionais nessa conquista, incluindo testes de pensamento crítico e análise. Mas esse sucesso vem com um preço: os alunos estão sob uma enorme e implacável pressão para chegar a isso. O talento não é levado em consideração, porque aquela cultura acredita em trabalho duro e diligência acima de tudo, não havendo desculpas para o fracasso. As crianças estudam durante todo o ano, tanto na escola como com tutores. Se você estuda bastante, você pode se tornar esperto o suficiente.

“Os coreanos basicamente acreditam ter que passar por esse período realmente difícil para ter um grande futuro”, afirma Andreas Schleicher, diretor de educação e habilidades do PISA e consultor especial sobre política educacional da OCDE. “É uma questão de infelicidade de curto prazo para uma felicidade de longo prazo”. Não são apenas os pais que pressionam seus filhos. A própria cultura, que tradicionalmente celebra a conformidade, a ordem e a pressão provinda de outros alunos, também pode aumentar as expectativas de desempenho. Essa atitude da comunidade se expressa principalmente na educação infantil. Nas escolas da Coréia, como em outros países asiáticos, as classes são muito grandes – o que seria extremamente indesejável para, digamos, um pai americano. Mas, na Coréia, o objetivo é que o professor conduza a turma como uma comunidade, para que os relacionamentos de companheirismo se desenvolvam. Nas pré-escolas americanas, o foco para os professores é desenvolver o relacionamento individual com os alunos, intervindo regularmente em relacionamentos entre colegas.

“Eu acho que está claro que há melhores e piores maneiras de educar as nossas crianças”, ressalta Amanda Ripley, autora de The Smartest Kids in the World: And How They Got That Way (As crianças mais inteligentes do mundo: e como elas chegaram a isso). “Ao mesmo tempo, se eu tivesse que escolher entre uma educação média dos Estados Unidos e uma educação média coreana para o meu próprio filho, eu escolheria, muito relutantemente, o modelo coreano. A realidade é que no mundo moderno, a criança vai ter que saber como aprender, como trabalhar duro e como persistir após o fracasso. O modelo coreano ensina isso.”

O modelo finlandês: escolha extracurricular, motivação intrínseca.

Na Finlândia, por outro lado, os alunos estão aprendendo os benefícios de ambos, rigor e flexibilidade. O modelo finlandês, dizem os educadores, é uma utopia. Lá, a escola é o centro da comunidade. A escola oferece não apenas serviços educacionais, mas também serviços sociais. Educação é sobre a criação da identidade do indivíduo. A cultura finlandesa valoriza a motivação intrínseca e a busca do interesse pessoal. As crianças têm um dia de escola relativamente curto e rico em atividades extracurriculares patrocinadas pela escola, porque, culturalmente, os finlandeses acreditam que a aprendizagem importante acontece fora da sala de aula. Um terço das aulas que os alunos têm na escola secundária são eletivas e eles podem até mesmo escolher em quais exames vão se matricular. É uma cultura de baixa tensão e que valoriza uma grande variedade de experiências de aprendizagem.

Mas isso não exclui o rigor acadêmico, motivado pela história de um país preso entre as superpotências europeias. “A chave para isso é a educação. Os finlandeses realmente não existem fora da Finlândia”, diz Pasi Sahlberg, educador finlandês e autor de Finnish Lessons: What the World Can Learn From Educational Change in Finland (Lições Finlandesas: O que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia). “Isso faz com que as pessoas levem a educação mais a sério. Por exemplo, ninguém mais fala essa língua engraçada que falamos. A Finlândia é bilíngue e todos os alunos aprendem finlandês e sueco. E todo finlandês que quer ser bem sucedido tem que dominar pelo menos mais uma outra língua, muitas vezes o inglês, mas geralmente também aprende alemão, francês, russo e muitas outras línguas. Mesmo as crianças menores compreendem que ninguém mais fala finlandês e, se querem fazer qualquer outra coisa na vida, precisam aprender línguas.”

Na Finlândia, apenas um em cada dez candidatos a programas de ensino é admitido. Depois de um fechamento em massa de 80% das faculdades de formação de professores na década de 1970, apenas os melhores programas de treinamento universitário permaneceram, elevando o status dos educadores no país. Os professores na Finlândia lecionam 600 horas por ano, passando o resto do tempo em desenvolvimento profissional, encontrando-se com colegas, alunos e suas famílias. Nos Estados Unidos, os professores estão em sala de aula 1.100 horas por ano, com pouco tempo para colaboração, retroalimentação ou desenvolvimento profissional.

Como os americanos podem mudar a cultura educacional

Como o palestrante do TED, Sir Ken Robinson, observou em sua palestra de 2013 “How to escape education’s death valley (Como escapar do vale da morte da educação), quando se tratam de problemas educacionais americanos atuais “a crise de abandono é apenas a ponta do iceberg. O que não contam são todas as crianças que estão na escola, mas que estão desvinculadas dela, que não gostam dela e que não recebem nenhum benefício real dela”. Mas isto não tem que ser assim.

Como observa Amanda Ripley, “cultura é uma coisa que muda. É mais maleável do que pensamos. Cultura é como este éter que tem todos os tipos de coisas girando em torno dele, alguns dos quais são ativados e outros estão latentes. Ao acontecer um imperativo econômico, uma mudança na liderança ou um acidente na história, essas coisas se ativam”. A boa notícia é: “Nós, os americanos, temos muitas coisas em nossa cultura que apoiariam um sistema educacional muito forte, como uma retórica de longa data sobre a igualdade de oportunidades e uma meritocracia forte e legítima”, diz Ripley.

Uma razão pela qual não fizemos muito progresso academicamente nos últimos cinquenta anos é porque não foi economicamente crucial para as crianças americanas dominar sofisticadas habilidades de resolução de problemas e pensamento crítico para sobreviver. Mas isso não é mais verdade. “Há uma defasagem para as culturas poderem acompanhar as realidades econômicas, e agora mesmo estamos vivendo essa defasagem”, diz Ripley. “Então, nossos filhos não estão crescendo com o tipo de habilidades ou determinação para sobreviver na economia global”.

“Somos prisioneiros das imagens e experiências de educação que tivemos”, afirma Tony Wagner, especialista em residência no centro de inovação educacional de Harvard e autor de The Global Achievement Gap (A lacuna na conquista global). “Queremos escolas para os nossos filhos que espelhem a nossa própria experiência ou o que pensávamos que queríamos. Isso limita severamente nossa capacidade de pensar criativamente em um tipo diferente de educação. Mas não há nenhuma maneira que puxe essa linha de montagem de encontro ao mundo do século XXI. Precisamos de uma grande revisão.” De fato. Hoje, a cultura americana de escolha coloca o ônus sobre os pais para encontrar as escolas “certas” para os filhos, ao invés de confiar que todas as escolas sejam capazes de preparar nossas crianças para a idade adulta. Nossa obsessão com o talento coloca o ônus sobre os alunos para que sejam “inteligentes”, mais do que sobre a capacidade dos adultos para ensiná-los. E nosso sistema antiquado para financiar escolas faz com que os valores de propriedade sejam o árbitro das despesas por aluno, e não os valores reais.

Nas culturas de educação mais bem sucedidas do mundo, o sistema é que é responsável pelo sucesso do aluno, não apenas os pais, não apenas o aluno, não apenas o professor. A cultura cria o sistema. A esperança é que os países possam encontrar a determinação e a vontade de mudar a sua própria cultura – um pai, um estudante e um professor de cada vez.

Amy S. Choi é uma jornalista, escritora e editora freelancer do Brooklyn, N.Y. É co-fundadora e diretora editorial da The Mash-Up Americans, uma empresa de mídia e consultoria que examina a vida moderna multidimensional dos EUA.

Entenda o que é Comunicação Não Violenta e como praticá-la no dia a dia

Para cumprirmos o cronograma intenso de atividades durante a Expedição MundoMaker Pará sem que houvesse conflitos entre os mais de trinta expedicionários selecionados, adotamos técnicas da Comunicação Não Violenta (CNV) para resolver todo e qualquer problema levantado. O resultado foi uma equipe harmoniosa e coesa, que soube dialogar e encontrar soluções de maneira prática e equilibrada. Mas, afinal, o que é a Comunicação Não Violenta?

Criada pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg e ensinada há mais que 40 anos por uma rede mundial de mediadores, facilitadores e agentes voluntários, a CNV vem sendo utilizada por pessoas que desejam intervir e agir com meios práticos e eficazes a favor da paz. Ela mostra como as formas culturais predominantes de nos comunicarmos nos levam a entrar em choque com colegas, familiares e pessoas com opiniões ou culturas diferentes. Rosenberg define-a da seguinte forma:

A Comunicação Não Violenta é baseada nos princípios da não violência. A CNV começa por assumir que somos todos compassivos por natureza e que estratégias violentas (verbais ou físicas) são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante. A CNV também assume que todos compartilham necessidades humanas básicas e que cada uma de nossas ações é uma estratégia para atender a uma ou mais dessas necessidades.”

Em outras palavras, trata-se de um modo de vida baseado na compaixão que, exercida por meio da comunicação, cria relações pacíficas entre as pessoas. Ela é muito útil para resolver conflitos e identificar as necessidades de si mesmo e do outro. A CNV oferece três pontos de partida para nos conectarmos com o outro: oferecer empatia; expressar suas próprias observações, sentimentos e necessidades; e promover conexão consigo mesmo por meio da autoempatia.

Nos anos 60, a CNV foi usada em projetos federais do governo americano a fim de integrar de forma pacífica escolas e instituições públicas. Ao longo dos anos, Rosenberg e sua equipe criaram sistemas de apoio à vida com administradores escolares, professores, profissionais de saúde, policiais, mediadores, sistemas jurídicos, gerentes de empresas, detentos, guardas, líderes religiosos e autoridades governamentais em mais de 50 países, entre eles Itália, Israel, Reino Unido, Dinamarca, Alemanha e Sérvia.

Aprenda a praticar a CNV:

Faça observações que estão levando você a sentir necessidade de dizer algo. Devem ser observações puramente factuais, sem julgamento ou crítica. Exemplo: “são duas da manhã e eu escutei seu rádio tocando” é um fato observado, enquanto que “já está tarde para fazer essa barulheira” é uma crítica. Pessoas normalmente discordam de críticas por valorizarem as coisas de maneiras diferentes, mas fatos observáveis abrem espaço para a comunicação.

Afirme o sentimento que a observação lhe desperta e escute o que o outro está sentindo. Nomear a emoção, sem julgamento moral, permite que os interlocutores se conectem e tenham respeito mútuo. Exemplo: “vejo que seu cachorro está correndo por aí latindo e sem coleira. Fico meio assustado”.

Declare a necessidade que é causa de seu sentimento ou adivinhe a necessidade que causou o sentimento na outra pessoa. Quando nossas necessidades se encontram, temos sensações felizes e agradáveis; quando elas não se batem, temos sensações desagradáveis. Ao compreender o sentimento, você pode encontrar a necessidade subjetiva. Afirmar a necessidade, sem julgá-la moralmente, lhe dá clareza sobre o que ocorre no seu coração ou no do outro no instante da conversa. Exemplo: “vejo que você afasta o olhar enquanto falo. Sinto-me desconfortável, pois preciso de um pouco de contato agora”. Estarmos sempre buscando sanar nossas necessidades não quer dizer que tenhamos consciência delas nem que saibamos comunicá-las. Pelo contrário, somos treinados culturalmente a mentir sobre como nos sentimos, inclusive para nós mesmos, a ponto de perdermos contato com o que sentimos de verdade.

Faça um pedido concreto para que a ação encontre a necessidade identificada.Peça de maneira clara e específica aquilo que você quer em vez de dar dicas ou afirmar apenas o que não deseja. Para que o pedido seja realmente um pedido, e não uma exigência, permita que a outra pessoa diga não ou proponha alternativas. Exemplo: “notei que você não falou coisa alguma nos últimos dez minutos. Está se sentindo entediado?” Se a resposta for sim, você pode revelar seu próprio sentimento e propor uma ação: “acho muito legal conversar com essas pessoas aqui. Que tal nos encontrarmos daqui a uma hora, quando eu acabar a conversa?”

Lembre-se:

Nem sempre você pode adivinhar o que o outro precisa ou sente. O fato de você escutar e querer compreender sem criticar, julgar, analisar ou discutir fará com que o outro se abra mais. Você pode ajudar alguém a se abrir ao compartilhar honestamente os próprios sentimentos e necessidades. A técnica básica é se conectar emocionalmente para identificar as necessidades do outro. Ir direto à resolução do problema ou à discussão faz com que o outro se sinta ignorado. Por exemplo, se um colega disser: “você colocou meu suéter na secadora e ele está arruinado! Seu descuidado!”. Nesse caso, é melhor responder com empatia: “Vejo que você está se sentindo triste por pensar que não sou cuidadoso o bastante com suas coisas”. Dependendo da intensidade da emoção e da pobreza de comunicação, você pode ter de lutar muito antes de obter uma resposta. Nesse ponto, você pode pedir desculpas ou propor novas ações, de forma a fazer com que seu colega saiba que você se importa.

Nossos sentimentos são nossa responsabilidade. A tristeza que sinto quando alguém querido me decepciona e a raiva que me consome quando alguém me agride são sentimentos que pertencem a mim. A agressão, ou o ato que serve como gatilho, pode vir de outra pessoa, mas o sentimento é um sistema interno meu para me avisar que tem algo errado. A responsabilidade pelo que eu sinto é minha, de mais ninguém. Ninguém me deixa triste. Não há pessoa que me dê raiva. Essas frases são ficções que usamos para deslocar para longe de nós a responsabilidade por aquilo que sentimos. Quando sinto raiva, tristeza, alegria, cabe a mim lidar com esses sentimentos, reconhecer o que eles querem dizer e escolher o que fazer com eles. Isso não significa que é fácil, mas algo que pode ajudar é compreender a razão por trás dos nossos sentimentos.

Algumas vezes, um modelo de frase memorizado pode ajudá-lo a estruturar o que precisa ser dito:

”Está se sentindo _____ por precisar de ____?” Enfatize da melhor maneira possível seus sentimentos para preencher os espaços. Você provavelmente conseguirá enxergar a situação através dos olhos dos outros.

”Está nervoso por pensar em ____?” A raiva é ativada pelos pensamentos, como “Eu acho que você mentiu”, ou “Eu acho que mereço mais um aumento do que fulano”. Descubra o pensamento e você conseguirá encontrar a necessidade.

”Ando pensando se você está se sentindo ___” é outro jeito de sentir empatia sem fazer uma pergunta de maneira explícita. A frase esclarece que você acha algo, sem tentar analisar o outro ou forçar o outro a se sentir de tal jeito.

”Ando pensando ____” é um jeito de expressar um pensamento de forma a ele ser ouvido como sendo um pensamento. O pensamento é capaz de mudar de acordo com novas informações ou ideias passadas pelo próximo.

”Você gostaria se eu ___?” é um jeito de oferecer ajuda para abordar uma necessidade recentemente identificada.

Evite dizer: “Você me fez sentir ____”, “Me sinto ___ por você ter feito ____”, e especialmente: “Você está me deixando nervoso”. Isso coloca a responsabilidade por seus sentimentos na outra pessoa, evitando identificar a necessidade que é a verdadeira causa por trás de seus sentimentos. Uma alternativa: “Quando você fez___, me senti ___, pois precisava de ____”.

Fontes

Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, de Marshall Rosenberg

O centro da comunicação Não-Violenta

NVC Academy, treinamento online

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