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O curioso trajeto da faquinha ‘sloyd’

O curioso trajeto da faquinha ‘sloyd’

Marca passo a educação que não incorpora as mãos no processo de aprender.

Comprei no AliExpress uma simpática faquinha, chamada de “sloyd” pelo fabricante. Como haveria chegado a uma cutelaria chinesa essa palavra com ar escandinavo? Ao desvendar o mistério, veremos que mãos e cérebro estão mais próximos do que pareceria.

Durante os longos invernos escandinavos, ficar dentro de casa era uma opção inevitável (como o isolamento dos dias de hoje). Numa sociedade ainda pobre e rodeada de florestas, por que não construir objetos úteis de madeira? Porém, no século 19, produzir vodca em casa revelou-se uma alternativa mais atraente. O problema é que a produção levou a uma bebedeira generalizada e ao desaparecimento desse artesanato.

Diante do problema, o governo resolveu usar suas escolas básicas para ensinar aos jovens as artes que se haviam perdido nas labutas com os alambiques. Era preciso relançar produtos para o mercado. Mas, com o tempo e boas cabeças cuidando do assunto, chegou-se à conclusão de que construir objetos de madeira tinha forte impacto no desenvolvimento da personalidade e da cognição. Abandonou-se então a índole comercial e tais atividades foram estruturadas, passando a ser incorporadas ao currículo escolar, apenas por seus fortes méritos educativos. O movimento foi chamado de Sloyd, o nome das faquinhas usadas pelos alunos nos seus trabalhos.

Diante do grande sucesso em toda a Escandinávia, os suecos criaram cursos visando a preparar professores de Sloyd para o mundo inteiro. Ao início do século 20, alguns brasileiros frequentaram tais programas.

E assim veio para o Brasil a disciplina de Trabalhos Manuais. Porém, dada a nossa cultura avessa a usar as mãos, os verdadeiros objetivos educacionais foram se perdendo. Sobrou uma caricatura, com poucas e toscas ferramentas sendo usadas sem quaisquer consequências educativas. Quando foi aposentada, lá pelos anos 1970, já não servia para nada.

Mas acontece que há mais substância nessa ideia do que se podia perceber nas nossas desmoralizadas atividades escolares. O movimento Sloyd teve enorme impacto nas escolas americanas. De fato, até hoje todas as escolas têm oficinas e professores competentes apoiando os alunos. Não é descabido pensar que isso tenha contribuído para fazer daquele país o campeão mundial das patentes.

Com o tempo, houve uma bifurcação dentro das escolas americanas. Os alunos de maior status convergiram para as disciplinas acadêmicas, mais abstratas, ficando as oficinas para os mais modestos. Como resultado, as atividades manuais passaram a ser vistas com desdém. Ser obrigado a matricular-se nelas era uma punição para o fracasso nas áreas acadêmicas.

Todavia esses acidentes de percurso não fazem senão esconder o papel das mãos na educação. O homem deixa de ser um primata como os outros na medida em que evolui a funcionalidade de suas mãos, exigindo cada vez mais da sua inteligência em usos mais ambiciosos. Um cérebro cada vez maior é a resposta aos desafios de criar objetos úteis, enfim, tecnologia. Do ponto de vista fisiológico, isso significa que as áreas do cérebro encarregadas de missões complexas e criativas desenvolveram conexões íntimas com as mãos. O que se aprende usando as mãos cala mais fundo.

Filósofos gregos perceberam que mãos e inteligência operam em contato estreito. Corporações de ofício de origem medieval têm como moto “o conhecimento mora na cabeça, mas entra pelas mãos”. Ou seja, marca passo a educação que não incorpora as mãos no processo de aprender. As escolas Waldorf têm isso muito claro.

Alvíssaras! Entra em cena o movimento Stem, de Science, Technology, Engineering and Mathematics. Podemos ver nele uma versão atualizada das ideias do Sloyd. Lidando com tecnologia e com problemas de engenharia, desenham-se conexões com os princípios científicos e com as ferramentas matemáticas correspondentes. Se ficasse aí, seria uma boa maneira de contextualizar ciência e matemática. Mas a genialidade da ideia é que isso tudo acontece dentro de projetos realizados pelos próprios alunos. Ou seja, volta o protagonismo das mãos para o primeiro plano. E os ganhos educacionais não podem ser subestimados. Deixa de entender o que está perdendo quem não sentiu o imenso prazer de criar com as mãos algum objeto. Aliás, essa emoção leva a um aprendizado mais profundo.

E não para aí, abre-se mais uma porta. Na última década aparecem nos Estados Unidos os Maker’s Spaces. São oficinas, simples ou sofisticadas, oferecendo a quem quiser a oportunidade de ir lá e construir o que lhe der na telha. Pode ser um carrinho de rolimã ou um robô controlado por Arduino.

Isso acaba chegando ao Brasil, pois nossa fome de novidades é invencível. Esparramam-se os Maker’s Spaces por aí. O potencial é enorme.

Mas os vícios culturais que esmagaram o nosso Sloyd não desapareceram. Poucos entenderam que as mãos oferecem uma passagem secreta para o conhecimento. Um dia, ao sairmos dessa maldita covid, poderemos pensar seriamente em educação. Seria a chance de usar as mãos para turbinar o nosso ensino?

*Originalmente publicado por Claudio de Moura Castro, O Estado de S.Paulo | 1º de maio de 2021 | 23h55

Professora da rede municipal de São Paulo é finalista do “Nobel da Educação”

Débora Garofalo desenvolve trabalhos de robótica com sucata no Ensino Fundamental e é a primeira mulher brasileira a ficar entre os finalistas

As ruas do bairro Cidade Leonor, zona sul de São Paulo, mudaram depois que a turma da professora Débora Garofalo passou a desenvolver um projeto de robótica com sucata. Além de conscientização sobre o descarte impróprio do lixo, mais de uma tonelada de lixo reciclável e eletrônico saíram das ruas e viraram materiais para praticar robótica ou tiveram um novo (e adequado) destino. “Parte do material, principalmente o eletrônico, usamos em sala de aula. O que não é utilizado é encaminhado para o descarte correto”, conta Débora.

Formada em Letras e Pedagogia, Débora é mestranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e trabalha como orientadora de informática educacional na EMEF Almirante Ary Parreiras. Débora Garofalo divide seus dias entre a sala de aula e o compartilhamento de práticas de tecnologia em sua coluna no site de NOVA ESCOLA e na rede Conectando Saberes.

O projeto de robótica com sucata a levou a ser uma das 10 finalistas do Global Teacher Prize (“Prêmio Professor Global”, em tradução literal), que reconhece os professores que realizaram as maiores contribuições à sua profissão e promove a troca de ideias entre educadores do mundo inteiro. O prêmio é considerado o “Nobel” da Educação. Esta é a primeira vez que uma mulher brasileira é finalista do Teacher Prize.

“Fico muito feliz por estar quebrando paradigmas: sou uma mulher mexendo com tecnologia e sucata e o mundo está reconhecendo o nosso trabalho e que ele pode ser replicado”, diz. Para Débora, essa é uma oportunidade para repensar as práticas de sala de aula e também o modo como as políticas públicas são pensadas. “É uma oportunidade para ver que os professores podem contribuir com as políticas públicas, para repensar a valorização docente no país e olhar com mais carinho para o trabalho do professor em sala de aula”.

Débora segue rumo à Dubai, nos Emirados Árabes, onde ocorrerá o anúncio do professor entre os 10 finalistas. O projeto vencedor recebe US$ 1 milhão (equivalente atualmente a R$ 3,7 milhões), que é pago em parcelas como compromisso de que o docente permaneça em sala de aula nos cinco anos seguintes à premiação e continue contribuindo em sua profissão.

Finalistas brasileiros no Teacher Prize

Além de Débora Garofalo, na edição 2019 do prêmio outro brasileiro circulou entre os 50 finalistas:  Jayse Antonio da Ferreira, professor de Arte na EREM Frei Orlando, em Itambé (PE). Clicando aqui, você pode conhecer mais sobre o projeto de Jayse. Nos últimos dois anos anos, o Brasil também esteve representado na premiação com os educadores Diego Mahfouz Faria Lima (São José do Rio Preto/SP), Rubens Ferronato (São Paulo/SP), Wemerson Nogueira (Boa Esperança/ES) e Valter Menezes (Santo Antônio do Rio Tracajá/AM).

fonte: nova escola

Com inovação, turma de fundamental avança em leitura e matemática

Trabalho há cinco anos na Escola Municipal Irmã Maria Eufrásia Torres, em São José dos Pinhais (PR). Comecei na alfabetização e depois passei a desenvolver atividades no Mais Educação [programa do governo federal que amplia a jornada escolar e a organização curricular na perspectiva da educação integral]. Caí de paraquedas na área de tecnologia, mas aos poucos fui me encantando.

O primeiro projeto

Quando desenvolvi meu primeiro projeto, que basicamente era fazer um motor rodar de um lado para o outro, fiquei tão extasiada que decidi levar isso para as crianças. Trabalhei com quatro turmas no Mais Educação, mas ano passado assumi o desafio de voltar para a sala de aula com uma turma do quarto ano do ensino fundamental que era considerada bem fraca.

O nível de aprendizado da turma era muito baixo por conta do comportamento. Eles tinham muita dificuldade de leitura, escrita e de fazer continhas. Era muito triste, eu não acreditava naquilo. Achava que o professor deveria ter um papel de transformação, então sabia que precisava encontrar uma forma de motivar as crianças. Foi aí que eu comecei a levar inovações para dentro da sala de aula.

Os alunos eram a minha motivação e eu, a deles. Era uma troca dentro da sala de aula. Quando apresentei a eles a proposta de trabalhar com tecnologia, eles começaram a pesquisar estratégias. Como a gente não tinha muitos recursos na escola e a comunidade tinha uma renda baixa, eles deram a ideia de usar carregadores de celular como fonte de energia para os projetos de robótica.

Em uma realidade com poucas perspectivas, comecei a trabalhar muito com eles a possibilidade de empreender e de pensar em uma profissão. Acho essencial que eles saibam que os protótipos e brinquedos que estão construindo nas atividades de robótica podem ser considerados uma verdadeira produção.

Primeiramente, pensamos em algum objeto que queremos construir. A partir dessa ideia, vamos para a segunda etapa que consiste em desenhar. Aqui consideramos toda a parte estética do protótipo porque a ideia é que ele possa ser vendido depois. Por último, vem a construção. Quando a gente precisava mudar a forma de fazer um motor funcionar, eu passava dias e noites vendo vídeos até conseguir uma alternativa para ajudar as crianças.

A parte da robótica teve início quando minha turma participou de uma feira em São José dos Pinhais e muita gente passou a conhecer o nosso trabalho. A comunidade ficou impressionada porque era uma produção feita por crianças e totalmente pensada para brincar.

Também começamos a produzir programas de rádio para trabalhar vários gêneros textuais. A escola tinha poucos materiais e eu cheguei a usar o meu próprio celular para gravar um telejornal.

Durante o ano, recorri a recursos gratuitos como o editor de áudio Audacity e o Scratch, linguagem de programação para crianças criada pelo Media Lab do MIT. São aplicativos que eu amo e acho muito interessante de compartilhar com outros professores. Dentro de sala de aula deram muito certo, e olha que eu trabalhava com trinta alunos.

Além dessas metodologias, eu ainda utilizei gamificação como uma aliada e combinei com os alunos atividades que eles deveriam desenvolver para pontuar. Se eles produzissem tudo durante a semana, a gente usava uma tecnologia na sala de aula. Comecei a usar o interesse deles ao meu favor.

Deu certo. Foi muito bacana ver o potencial e a motivação das crianças. Todos os dias eles queriam fazer alguma coisa diferente. Para uma turma que tinha dificuldade, os alunos terminaram o ano com mais facilidade para ler e escrever, fazer as operações matemáticas e resolver situações problemas. O nível de reprovação foi baixíssimo. No livro de notas, teve aluno que estava tirando 3 e passou a tirar 9. Isso é muito gratificante. Isso me motiva a cada dia buscar e levar mais inovações para eles.

 

fonte: porvir

Como levar a cultura maker para dentro da sala de aula

Ultimamente, muitos de nós ouvimos falar sobre o termo “maker”. Mas o que é exatamente isso?

Robótica é maker? Programação é maker? Pintura é maker? Eletrônica é maker? Impressora 3D é maker? Marcenaria é maker? Costura é maker? O que você acha?

O movimento maker propôs nos últimos anos o resgate da aprendizagem mão na massa trazendo o conceito “aprendendo a fazer” que, aplicado ao ambiente escolar, tem como objetivo promover e estimular a criação, a investigação e a resolução de problemas pelos alunos, proporcionando um pensamento “fora da caixa”, conectando ideias desconectadas, usando ao máximo, qualquer tipo de recurso. Uma verdadeira oportunidade de reinventar e inovar a educação!

Se procurarmos no dicionário o termo maker, veremos que está relacionado ao “fazer” e por aí podemos ter uma dica: o maker é aquele que faz, que põe a mão na massa. Porém, ser um maker é mais que simplesmente quem faz alguma coisa, está ligado a uma forma de fazer, a uma atitude. E qual atitude seria esta?

Ser maker é olhar um problema e elaborar um projeto criativo para resolvê-lo, explorando possibilidades, sendo curioso, resiliente, experimentador. É errar e aprender com os erros. Essas características estão muito presentes em todos nós na infância, porém, apenas alguns conseguem mantê-las na idade adulta.

Uma pessoa maker é aquela que, por meio da curiosidade, busca ajuda e tem uma atitude de abertura para troca com outras pessoas. E fundamentalmente, é apaixonado pelo que faz! Se refletir, essas são características que estão muito relacionadas com competências e habilidades que desejamos desenvolver na escola.

FILOSOFIA MAKER

 

 

A cultura maker favorece a aprendizagem por experimentação, ou seja, ao vivenciá-la pelas metodologias ativas, procura tirar o aluno da passividade e trazê-lo para o centro do processo de aprendizagem.

E POR ONDE COMEÇAR?
Temos visto uma grande preocupação das escolas com a construção de salas dedicadas às atividades “mão na massa”, principalmente com o investimento em máquinas, equipamentos e na adaptação do espaço.

O ambiente tem importância no aprendizado. Ele deve ser inspirador e facilitador, porém, não é suficiente para proporcionar a aprendizagem. Normalmente, ao se criar um espaço maker na escola sem o cuidado de se trabalhar antes com as pessoas envolvidas, paradoxalmente, acontece um afastamento delas ao invés de uma aproximação e integração. Como seres humanos, temos medo do desconhecido e do incomum!

Uma chave para o sucesso na implementação de um projeto inovador é criar um ambiente que permita a participação dos atores envolvidos, para que conheçam e que contribuam, dando-lhes a sensação de pertencimento e autoria. Somos todos criadores e quando o fazemos, geralmente, nos sentimos felizes e realizados. Desta forma, a motivação intrínseca desperta o interesse para a realização de projetos, muitas vezes, tidos como impossíveis!

ESPAÇO MAKER
Ao pensar em implementar um espaço maker devemos, antes de começar, nos perguntar o quê queremos com ele e, principalmente, como iremos trabalhar neste espaço.

O lugar deve ser organizado de forma que mesas coletivas fiquem em seu centro e que os recursos como ferramentas, máquinas e materiais sejam dispostos na periferia, acompanhando as paredes.

Se você não possui um espaço maker, não tem problema, saiba que é possível tornar a sua sala de aula mais acolhedora, reorganizando o mobiliário, como por exemplo: agrupar mesas e cadeiras em formato de bancada; reaproveitar madeira de porta e de carteiras velhas; e acrescentar um tripé para formar uma bancada. Assim, você estará criando um ambiente de trabalho participativo e colaborativo para que os estudantes possam exercitar a criatividade.

Lembre-se: as pessoas são o centro do espaço maker. A principal dificuldade que encontramos para implementar um projeto de educação mão na massa na escola é a mudança de cultura necessária em nós, professores. Ser maker é, antes de mais nada, uma atitude!

O espaço mão na massa é o lugar para aceitar o desconhecido e o erro e para trabalhar colaborativamente, características que não são habituais no nosso dia a dia. Precisamos nos permitir a mudar um hábito arraigado em nós: o papel do professor que se apresenta à frente dos alunos e que instrui muito ao invés de deixar que os alunos aprendam pela experiência. No espaço maker, prezamos a relação humana e a horizontalidade. A hierarquia se dá por reconhecimento e não por autoridade.

Esse espaço é regulado por dois valores: segurança e respeito. Os participantes das atividades devem entender que para uma convivência harmoniosa e produtiva, deve-se sempre cuidar dos outros, do espaço e de si mesmo. Assim, todos sabem qual a atitude necessária para o trabalho no ambiente e, as intervenções fazem sentido para o aluno.

Busca-se sempre a autonomia a partir da empatia, criando vínculo com os alunos, reconhecendo o contexto de cada um, descobrindo o que tem sentido e significado para eles e ajudando a criar um ambiente propício para aprender. Ao ampliar seu horizonte de conhecimento, o aluno ganha autoconfiança e segurança para ousar, conquistando cada vez mais autonomia.

MATERIAIS
Para começar, você precisará de ferramentas simples (chaves de fendas, madeira, cola quente, ferro de solda, solda, tesouras, estiletes, fita isolante, furadeira, serrote), materiais eletrônicos (fios, suporte de baterias e ou de pilhas, motores de 6v e 3v – que é possível encontrar em brinquedos quebrados e em computadores sem uso, leds, resistores, jacarés, controladores) e materiais de sucata (papelão, potes, isopor, madeira) e muita imaginação.

No especial Mão na Massa do Porvir traz um simulador maker para você se inspirar e ir estruturando esse espaço. Vale a pena envolver a comunidade e pedir doações.

CRIE SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
Utilize as metodologias ativas, como resolução de problemas e aprendizagem por projetos, com questões norteadoras:

COMECE SIMPLES
Desenvolva projetos simples com os estudantes e vá aumentando o nível de dificuldade aos poucos, exercitando o espírito lúdico, a criatividade e a vivência da aprendizagem em torno de um problema.

Leve materiais de sucata para a sala de aula como potes, papelão, tampinhas, entre outros e eletrônicos como motores, resistores, fios, suportes de baterias. Com esse material, você será capaz de incentivar os alunos a desenvolver projetos mão na massa.

Estabeleça um roteiro de trabalho e faça perguntas para instigar e aguçar a criatividade dos estudantes. Nessas aulas, a sua turma poderá codificar, desvendar o Scratch (software livre e gratuito) ou montar circuitos elétricos simples, assim, dessa maneira, o pensamento maker vai sendo incorporado gradativamente.

Como professor, você pode montar fichas de observação e investigação para que os alunos registrem o aprendizado. A sua intervenção só é feita quando necessária, no processo de mediação.

A aprendizagem mão na massa é simples, mas demanda empenho e esforço para mudança de concepção.

DÊ LUGAR AO ERRO
Errar faz parte do processo!

Os estudantes precisam estar envolvidos nas etapas, participando da construção da sua aprendizagem. Eles precisam de espaço para tentar, errar, tentar de novo até acertar.

Falhar faz parte desse processo e o torna significativo, tornando os alunos mais criativos e capazes de resolver problemas com autonomia.

Essas habilidades são importantes para resgatar o encantamento das aulas e desenvolver espírito inovador.

PARA SE INSPIRAR
Que tal colocar a mão na massa em um hackerspace?

Estamos falando de laboratórios comunitários que seguem a filosofia do conhecimento livre, acesso amplo às tecnologias, respeito à privacidade, liberdade, valor social, criatividade e inventividade.

Nos hackerspaces, o destaque vai para o espírito inovador, que atrai pessoas interessadas em colaborar em vários projetos makers e refletir sobre diversos assuntos.

O espaço é um ponto de encontro para quem quer trocar conhecimento e experiências. Clique aqui para localizar o endereço mais próximo a você.

E então? Robótica, programação, pintura, eletrônica, impressão 3D, marcenaria, costura são atividades maker? Vai depender de como você mediará as atividades…a ferramenta principal de um espaço maker sempre será você!

Um grande abraço,

Débora Garofalo e Fabio Zsigmond

Fonte: Blog Redes Moderna

Aprender a falar em público deve ter o mesmo peso do que aprender matemática nas escolas

Neil Mercer (Lancashire, 1948) dedica sua carreira a estudar como a forma de falar influencia os resultados acadêmicos. Ele acredita que falar em classe é algo tradicionalmente associado ao mau comportamento, e que as salas de aula foram concebidas para que os alunos participem em silêncio. Essa é uma realidade que atualmente não ocorre nos colégios privados britânicos, onde os alunos são ensinados a dominar a arte da oratória. “O discurso é para as elites”, critica o diretor do centro de oratória da Universidade de Cambridge, que recentemente apresentou suas pesquisas à comissão de Educação da Câmara dos Comuns (deputados), propondo que o programa acadêmico das escolas públicas britânicas dê importância à oratória.

O departamento que ele comanda, chamado Oracy@Cambridge, foi criado há dois anos e meio para estabelecer uma ponte entre pesquisa, a prática e as políticas públicas com o objetivo de determinar como a expressão oral deve ser ensinada nas escolas e locais de trabalho. A equipe é composta por oito especialistas em educação, pesquisadores e assessores públicos, e um de seus estudos demonstrou que as crianças que dominam a oratória obtêm melhores nota em matemática e ciências. Mercer já assessorou os governos de Gales e Singapura para incluir a oratória em seus programas acadêmicos.

Para Mercer, professor emérito de Educação em Cambridge, trata-se de uma questão de desigualdade social: os filhos de famílias mais privilegiadas costumam frequentar colégios que os ajudam a melhorar sua expressão oral e dar o melhor de si. Essa habilidade lhes propiciará acesso a melhores postos de trabalho, porque são capazes de negociar. Seu objetivo é formar professores da escola pública para que ataquem o problema de frente e sejam uma segunda chance para as crianças que não aprendem a falar corretamente em suas casas. A linguagem influi no rendimento escolar.

Por que a escola não presta atenção à oratória?

Existe a crença de que os colégios devem se centrar na transmissão de conhecimentos sólidos e que qualquer foco no desenvolvimento das habilidades de pensamento distrairá os professores e alunos desse objetivo. É uma falsa dicotomia. As pesquisas em psicologia e educação introduziram algumas mudanças na nossa forma de entender como as crianças desenvolvem suas habilidades cognitivas. Durante anos usou-se como referência o trabalho do psicólogo suíço Jean Piaget, que sustenta que as crianças aprendem a resolver problemas através de sua experiência direta com o mundo, sozinhos. Mais tarde, ganhou maior peso a perspectiva de seu contemporâneo russo Lev Vygotsky: as crianças desenvolvem sua compreensão do mundo através da interação com pessoas do seu entorno. Não o fazem como indivíduos isolados, mas absorvem o que veem e o que ouvem dos outros. Em nossas pesquisas vimos que a aquisição da linguagem e a exposição das crianças a conversas bem construídas durante a etapa pré-escolar estão altamente relacionadas com os resultados acadêmicos posteriores. As crianças que de forma regular são envolvidas em diálogos raciocinados em casa ficam mais propensas a serem mais efetivas em sua expressão oral.

As diferenças no nível educativo que as crianças recebem em casa deveriam ser compensadas na escola, já que muitas entram aos três anos.

Quando as crianças chegam à escola, sua forma de falar se baseia na experiência que tiveram em casa, e isso varia muito de família para família, não têm por que terem aprendido as ferramentas que necessitam. É na família onde aprendem a falar, têm seus primeiros diálogos. A língua que experimentam será a base do que são capazes de expressar. Pode ser que nunca tenham escutado uma conversa de qualidade, bem construída e com argumentos ordenados, ou que não lhes tenham pedido que expliquem suas ideias de forma clara. Muitos pais não se animam a tentar. Isso geralmente está associado a uma desvantagem socioeconômica. Algumas crianças serão muito boas inclusive em respeitar a vez de cada um usar a palavra, outros sentirão medo se tiverem que falar em público. Para muitas delas, a escola e os professores são sua única segunda chance de desenvolver a oratória. Como professor, você nunca deve menosprezar sua influência sobre as crianças. A forma pela qual aprendem a falar depende, em muitos casos, da maneira como o docente se dirige a elas.

Na escola pública não existe uma disciplina para aprender a falar bem em público. O que falhou para que se deixe de lado essa competência?

O término oracy (oratória) foi cunhado em 1965 por Andrew Wilkinson, pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de Birmingham, para dar à expressão oral um status similar ao dos literacy skills (habilidades de leitura e escrita). O fato de não se dar importância a ela no programa acadêmico nacional inglês reflete o desconhecimento dos políticos, que veem a discussão em sala como uma mera distração de outras matérias mais relevantes. Eles opinam que as crianças aprendem a falar de forma natural, mas não a ler. No centro de Oratória de Cambridge desenvolvemos métodos para ensinar a dominar a oratória e para avaliar o progresso dos alunos. Se eles aprenderem a se comunicar de forma efetiva, serão mais bem avaliados e participarão com mais sucesso da sociedade. A expressão oral já é ensinada nos colégios privados, acessíveis para as famílias com mais recursos econômicos. Entretanto, esses centros não ajudam a promover a igualdade social e a mobilidade no Reino Unido.

Como explica que aprender a se expressar bem influencie nos resultados acadêmicos de ciências e matemática?

Nosso estudo intitulado Reasoning as a Scientist: Ways of Helping Children to Use Language to Learn Science (“raciocinando como um cientista: formas de ajudar as crianças a usarem a linguagem para aprender ciências”), que publicamos em 2003, demonstra que as conversas podem contribuir para entender melhor as ciências e a matemática. Analisamos a evolução de mais de 200 alunos britânicos de 9 e 10 anos em um programa experimental. Embora os ensinássemos a interiorizar um vocabulário específico, as habilidades descritivas não eram o foco principal, e sim a capacidade de raciocinar em grupo. Medimos o progresso dos alunos através dos exames de matemática e ciências e o cruzamos com todas as atividades que tinham seguido em sala de aula para desenvolver verbalmente seus conhecimentos. O discurso é crucial nas ciências porque se aprende a descrever observações de forma clara, raciocinar sobre causas e efeitos, fazer perguntas precisas, formular hipóteses, analisar de forma crítica as explicações dos outros, resumir resultados… Definitivamente, esses são procedimentos de pesquisa.

A chave é falar em grupo ou ser capaz de preparar e pronunciar um discurso efetivo?

Uma pesquisa em colégios britânicos demonstrou que as conversas que ocorrem em classe quando os professores dividem os alunos em grupo não são cooperativas, nem produtivas, e são desiguais quanto à quantidade de tempo em que cada aluno intervém. Os alunos não têm claro o que se espera que façam ou que elementos constituem uma conversa de qualidade. Os professores raramente deixam claras suas próprias expectativas ou critérios, e não oferecem orientações sobre como se comunicar em grupo de forma efetiva. É preciso ensiná-los a usar a linguagem para perguntar, raciocinar, negociar as ideias e construir decisões por consenso. Nosso projeto Exploratory Talks, dentro do programa Thinking Together, estabelece regras para promover essas discussões em sala de aula: toda a informação relevante é compartilhada, todos os membros do grupo são convidados a contribuírem para a conversa, respeitam-se todas as ideias, todos devem expor de forma clara o seu raciocínio, e é preciso chegar a um acordo.

Como um professor pode saber se está agindo corretamente e se o debate em classe está funcionando?

Se seguir determinadas pautas, comprovará que as condições naturais e habituais que se dão nas conversas ficam suspensas. O status social dos participantes pode ser neutralizado com as regras do jogo, criando uma atmosfera mais igualitária. Por exemplo, as crianças com mais confiança em si mesmas e que costumam falar mais tempo têm a oportunidade de escutar outros pontos de vista. Os mais lacônicos e tímidos, que normalmente ficam calados e em um segundo plano, sentem que sua contribuição é valorizada, que sua voz vale tanto como a dos outros. Perguntas feitas aos demais colegas são premiadas pelo docente e, em longo prazo, isso leva a um melhor entendimento da postura dos outros, a uma maior empatia. Os professores que participaram dos nossos projetos-pilotos nos contam que seus alunos agora são capazes de resolver conflitos fora da sala de aula com maior facilidade. Nosso programa Thinking Together in Maths and Science explica como colocar isso em prática dentro da classe. No próximo mês de setembro ofereceremos em Cambridge o curso de formação de docentes Oracy Leaders, que elaboramos com o Voice 21, a fundação da escola inovadora School 21. É um programa de um ano com apenas quatro sessões presenciais.

Fonte: El País

Três makerspaces que vale a pena conhecer

O site Worlds of Learning selecionou três makerspaces que vêm ganhando destaque ao redor do mundo, confira: DefkoAkNiep (Senegal)

Foi criado em 2014 pela ONG Ker-Thiossane. O nome do makerspace significa “Faça com todo mundo”, no idioma local, Wolof. Com mais de 70 membros, o DefkoAkNiep oferece treinamento para crianças, empresários, artesãos, estudantes, artistas e engenheiros. Os alunos têm contato com máquinas de fabricação digital, como a cortadora a laser e a impressora 3D, além de ferramentas manuais. Entre seus projetos, está o desenvolvimento de soluções energéticas a partir de painéis solares e turbinas eólicas. Para conhecer mais, acesse https://www.facebook.com/Defkoaknieplab/ ou www.twitter.com/defkolab.

Makerspace Tuce (Gana)

Está localizado nas dependências da Faculdade de Educação de Tumu, no distrito de Sissala East, parte noroeste de Gana. Foi idealizado pela Novan Education & Training e é administrado pelo corpo docente da faculdade. Possui apenas um ano de existência, mas já ajudou diversos professores a criarem ferramentas para ensinar matemática e leitura aos alunos. Todos os materiais são válidos para desenvolver projetos: bancos, caixas, computadores, impressoras e ferramentas eletrônicas, de arte e de carpintaria. A iniciativa ainda não possui redes sociais.

Walhallab (Holanda)

É considerado o mais antigo espaço maker privado da Holanda. Foi fundado em 2003, em Zutphen, por Marco Mout, com o objetivo de estimular crianças a desenvolverem seus talentos. Os alunos possuem entre 6 e 20 anos e são provenientes de diversas classes sociais. Segundo Mout, os materiais para a construção de projetos vão de sucatas, motosserras e soldas a tipos luxuosos de madeira e impressoras 3D. Ferramentas de pintura e máquinas de costura também fazem parte. Entre os colaboradores do makerspace estão profissionais de TI, escultores, pedagogos, psicólogos, fotógrafos, construtores de drones e designers. “Nós projetamos, construímos, pintamos, colamos, soldamos… Evitamos as limitações”, afirma Mout. Além de realizar parcerias com escolas, o Walhallab também trabalha com usuários de drogas e crianças com autismo e TDAH. Outra meta é abrir um curso para professores para desenvolver novas habilidades de ensino e motivação. Conheça mais em www.walhallab.nl ou www.facebook.com/walhallab.

3 desafios que o movimento maker enfrenta nas escolas

Basta dar uma olhada dentro de garagens, museus e bibliotecas dos Estados Unidos para perceber que o movimento maker está prosperando.

A cultura da mão na massa e do DIY (Do It Yourself ou Faça Você Mesmo, em português) vêm inspirando crianças e adultos a construir inúmeros projetos e, aos poucos, esses espaços abastecidos com pistolas de cola quente, brocas e martelos, vêm invadindo as escolas também. Infelizmente, o movimento maker enfrenta alguns grandes obstáculos à medida que entra nas salas de aula.

O primeiro deles: escolas não estão pensando no movimento maker como uma ferramenta de instrução. A afirmação é de Chris O’Brien, um ex-professor que ajuda escolas a criarem espaços maker e de aprendizagem baseada em projetos em Nova York. Segundo O´Brien, as escolas cometem um grande erro ao enxergarem esse tipo de aprendizado como uma reles matéria optativa ou apenas um lugar para ir depois da escola para brincar com madeira, tecido ou impressora 3D.

“Escolas que apoiam a cultura maker precisam encontrar um espaço para ela na grade curricular. Isso não só ajudará na aprendizagem dos alunos, como também evitará que o movimento maker se torne apenas uma moda passageira”, enfatiza.

Uma escola que está tentando entender como fazer isso é a Lighthouse Community Charter School, em Oakland, Califórnia. Em seu espaço maker, chamado de laboratório de criatividade, um estudante está trabalhando em um protótipo de drone feito de isopor. Outros estão criando uma bola de discoteca com LED e copos de papel ou uma casa de bonecas de papelão com luzes e móveis. Você pode fazer o que quiser. Não há proibições nem fronteiras para a criatividade.

A escola vem trabalhando duro para tentar vincular o que acontece no espaço maker ao conteúdo que os professores estão dando na sala de aula. Tanya Kryukova, por exemplo, ensina Física. Seus projetos mão na massa incluem uma minicasa elétrica para explorar circuitos e carros feitos a partir de ratoeiras e faixas de borracha. Ela diz que está sempre se perguntando como pode aplicar conceitos de física em projetos. “Para mim, a verdadeira aprendizagem acontece quando um aluno tem sua curiosidade despertada e passa a fazer perguntas”, diz.

Mas há uma tensão – e ela nos leva ao segundo desafio: à medida que o espaço maker se expandir para mais escolas, existe o medo de que ele seja “corporativizado” e perca sua essência em meio a testes, padrões e estruturas pré-estabelecidas. Isso é perturbador para um movimento marcado por criatividade, liberdade e experimentação. Mas a aluna Khalil Roberson, de 13 anos, tem a solução: lembre-se de manter a cultura maker sempre leve e divertida. “Isso é apenas uma mola”, diz.

Outra solução para esse desafio é fazer atividades mais centradas no ser humano. Por exemplo, propor uma tarefa em que os alunos devam projetar e criar algo para um amigo ou para sua comunidade. De acordo com Aaron Vanderwerff, diretor do laboratório de criatividade, isso exige que os alunos entrevistem o potencial usuário do produto, pensem no que ele está interessado, encontrem diferentes soluções para o problema e obtenham um feedback antes de criar o produto final. Ele segue um padrão, mas não perde sua essência.

Por fim, o terceiro grande desafio: tornar a educação maker acessível não só a crianças brancas de classe média e alta. Felizmente, isso já acontece na Lighthouse Community Charter School. “Nossos alunos não são crianças ricas. Quase 90% são afro-americanos e latinos e 84% de classe baixa”, destaca Vanderwerff.

As soluções para os desafios estão em desenvolvimento, mas ainda há um longo caminho a ser trilhado.

 

Fonte: NPR

Participe do Hackathon do MundoMaker

Recentemente, recebemos um pedido de uma pessoa com pouca mobilidade nas mãos: seria possível desenvolvermos um controle remoto com apenas quatro botões bem grandes, dois para aumentar e diminuir o volume e dois para subir e descer os canais? Como pensar em projetos para atender necessidades reais está no DNA do MundoMaker, é claro que aceitamos o desafio!

No dia 28 de outubro, das 10 às 20 horas, no Morumbi Town, vamos nos reunir e fazer um Hackathon para solucionar esse problema. Pra quem não sabe, Hackathon significa “maratona de programação”. O termo resulta de uma combinação das palavras inglesas “hack” (programar de forma excepcional) e “marathon” (maratona).

O objetivo é desenvolver projetos que atendam a um fim específico ou criar projetos livres que sejam inovadores e utilizáveis. Um hackathon é um acelerador de ideias e possibilita o estímulo da criatividade e do pensamento rápido, a experimentação de novas ideias, o desenvolvimento de habilidades e técnicas e a capacidade de comunicação em equipe. Os primeiros eventos foram realizados em 1999, nos Estados Unidos, e, desde então, expandiram-se para outros países e vêm se popularizando no Brasil.

Será um dia inteiro de imersão em uma maratona maker – e seu filho pode fazer parte dessa experiência! Para participar, basta montar um grupo com cinco jovens de 12 a 16 anos. O único requisito é ter interesse pela cultura maker e querer colocar a mão na massa com a gente! Dá uma olhada no nosso cronograma:

  • 10:00 – chegada e divisão dos times
  • 10:30 – palestra sobre cultura hacker com Stefano Gaudieri (desenvolvedor e hacker)
  • 11:00 – momento de planejamento/ design thinking
  • 11:30 – hands on
  • 13:00 – almoço
  • 14:00 – hands on/prototipagem
  • 16:30 – lanche
  • 17:00 – finalização dos protótipos
  • 19:00 – jantar com Maker Pizza
  • 19:30 – apresentação dos projetos
  • 20:00 – premiação e encerramento

Os participantes terão a chance de exercitar a criatividade e conhecer a cortadora a laser e a impressora 3D, além de vários materiais e ferramentas de oficina. Também é uma excelente oportunidade para estimular as crianças a construírem algo que pode fazer diferença na vida de alguém e deixar um legado para a sociedade. No final do dia, haverá a apresentação dos projetos e o escolhido como vencedor levará um arduíno para casa!

Para inscrever seu time ou fazer qualquer pergunta referente ao evento basta mandar um email para ola@mundomaker.cc com o nome dos participantes e um telefone ou email para contato. A atividade é gratuita, é preciso apenas pagar uma taxa simbólica de inscrição. Será um dia de muita diversão e conteúdo!

Esperamos você! 🙂

Por que toda sala de aula deveria ser um makerspace

Por John Spencer

Uma vez, dei aulas a uma estudante da oitava série que escreveu quatro romances online, apesar de ter aprendido inglês há apenas três anos. Ela passava seu tempo livre na sala de aula procurando como configurar ímãs de chumbo ou criar filtros para uma lista de e-mail. Ela lia postagens de blogs sobre como criar mais suspense em um enredo e como usar a ação em vez da descrição para desenvolver caracteres. Ela tem uma mentalidade maker. Também tive um estudante que ensinava a si mesmo como programar jogando com Scratch quando estava na sexta série. Com a ajuda de um professor que o orientou ao longo do caminho, ele foi o primeiro filho em sua família a se formar no ensino médio. Agora, ele está fazendo mestrado em engenharia. Ele tem uma mentalidade maker. Por outro lado, também ensinei estudantes com imenso talento que nunca perseguiram seus sonhos porque ficaram esperando um convite que nunca chegou. Eles eram bem comportados, mas não tinham proatividade e não sabiam como resolver problemas. Eles passaram anos esperando por uma oferta que nunca aconteceu.

Acredito que o Design Thinking é tão vital quanto matemática, leitura ou escrita. Existe um grande poder na resolução de problemas, na experimentação e na tentativa de transformar perguntas em ideias de produtos autênticos para serem desenvolvidos. Algo acontece nos alunos quando eles se definem como makers. Quando as crianças adotam uma mentalidade de maker, elas aprendem a pensar fora da caixa e a resolver problemas conectando ideias aparentemente desconectadas. Eles aprendem a assumir riscos criativos e a tentar coisas novas. Eles aprendem a adotar o pensamento iterativo à medida que se movem por meio do processo criativo. No processo, eles experimentam falhas e desenvolvem uma mentalidade de crescimento. Eles se tornam pensadores de sistemas que podem navegar na complexidade, mas também se tornam hackers e rebeldes que mudam o mundo. Em outras palavras, eles se tornam inovadores.

Essas habilidades são vitais para o sucesso na vida e uma parte profunda da experiência humana. Quando as crianças adotam a mentalidade de um maker, elas experimentam a alegria do trabalho criativo.

O fazer manual não pode ser deixado de lado

Todos os dias, pergunto aos meus filhos: “O que vocês fizeram na escola hoje?” Muitas vezes, eles não conseguem me dar uma resposta. Mas, nos dias que conseguem, seus olhos se iluminam e eles descrevem apaixonadamente seus projetos. É nesses momentos que lembro que o fazer é mágico. Quero ver os professores transformarem suas salas de aula em espaços de criatividade e encantamento. Mas aqui está a coisa: isso é difícil de conseguir. Todos nós temos mapas e padrões curriculareslimitados que precisamos ensinar. Nós não temos dinheiro para comprar novos aparelhos sempre. Portanto, a criatividade acaba se tornando um projeto paralelo, uma atividade a mais que realiza quando tem tempo para isso. Mas a verdade é que nunca há tempo suficiente. Você precisa criar esse tempo. Tem que ser uma prioridade. E essa prioridade começa com três crenças orientadoras:

1-      Toda criança é um maker (e cada professor é naturalmente criativo)

Todos os alunos merecem a oportunidade de serem seus melhores eixos criativos, dentro e fora da escola. Todas as crianças são únicas, autênticas e destinadas a serem originais. Muitas pessoas – professores também – acreditaram na mentira de que existem certos “tipos criativos” que são a exceção à regra. Mas esta é uma mentira enorme. Todos somos criativos. Todos nós. Nós apenas precisamos de espaços e oportunidades para a nossa criatividade prosperar.

2-      Todo aluno deve ter acesso a projetos criativos

Muitas vezes, o fazer manual é reservado a alunos que já fizeram seu trabalho convencional – é como um prêmio para aqueles que terminam seu trabalho rapidamente. Já o Design Thinking e a aprendizagem baseada em projetos são reservados para estudantes considerados talentosos. Mas todas as crianças merecem acesso a projetos criativos. Todo estudantes pode prosperar quando tem a chance de criar e projetar. .

3-      Toda disciplina deve ter um espaço maker

Muitas vezes, associamos os makerspaces apenas à codificação, robótica ou prototipagem em 3D. Mas é preciso repensar a definição de maker e de makerspace. Quando os alunos criam blogs, podcasts e documentários, eles estão exercendo uma mentalidade maker. O fazer manual pode acontecer em qualquer disciplina.

Onde começar com makerspaces

Como criamos esses espaços quando não temos tempo ou dinheiro? Como transformamos nossas salas de aula em espaços maker quando temos a pressão constante para realizar o convencional? Vamos começar com a questão do tempo. Quando os professores experimentam projetos de Design Thinking, por exemplo, eles não estão adicionando algo novo à sua grade pronta. Em vez disso, eles estão reorganizando sua grade e escolhendo uma abordagem diferente para os mesmos padrões. Makerspaces não são sobre o “material” em si. Eles são sobre o fazer e a mentalidade maker. Por exemplo, às vezes, a melhor maneira de fazer um protótipo é com papelão e fita adesiva em vez de uma impressora 3D.

Makerspaces são arriscados, mas precisamos ser ousados. Quando nossos alunos nos vêem assumir um risco criativo com nosso próprio ensino, eles são mais propensos a internalizar essa mesma mentalidade. Lembro-me quando dei aulas a alunos da sexta série. Eu compartilhei toda a minha filosofia com meu diretor e falei sobre o que os estudantes aprenderiam e como isso se relacionava a padrões específicos. Muitas vezes, ajuda quando os professores usam a palavra “projeto piloto”. Deixe-os saber que isso é simplesmente algo que você deseja experimentar.

Você não precisa saber como fazer tudo no makerspace. Na verdade, você pode compartilhar seu próprio processo de aprendizagem com sua classe. Você acabará vendo alunos ensinando uns aos outros (e a você) algumas habilidades que você não possuía. Ao mesmo tempo, você também pode aprender algo diferente. Vá fazer alguma coisa. Desvende o Scratch e aprenda as partes iniciais da codificação. Experimente os circuitos pela primeira vez. Faça coisas. Cometa erros. Incorpore o pensamento maker.

Fonte: Medium

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