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Aprender a falar em público deve ter o mesmo peso do que aprender matemática nas escolas

Neil Mercer (Lancashire, 1948) dedica sua carreira a estudar como a forma de falar influencia os resultados acadêmicos. Ele acredita que falar em classe é algo tradicionalmente associado ao mau comportamento, e que as salas de aula foram concebidas para que os alunos participem em silêncio. Essa é uma realidade que atualmente não ocorre nos colégios privados britânicos, onde os alunos são ensinados a dominar a arte da oratória. “O discurso é para as elites”, critica o diretor do centro de oratória da Universidade de Cambridge, que recentemente apresentou suas pesquisas à comissão de Educação da Câmara dos Comuns (deputados), propondo que o programa acadêmico das escolas públicas britânicas dê importância à oratória.

O departamento que ele comanda, chamado Oracy@Cambridge, foi criado há dois anos e meio para estabelecer uma ponte entre pesquisa, a prática e as políticas públicas com o objetivo de determinar como a expressão oral deve ser ensinada nas escolas e locais de trabalho. A equipe é composta por oito especialistas em educação, pesquisadores e assessores públicos, e um de seus estudos demonstrou que as crianças que dominam a oratória obtêm melhores nota em matemática e ciências. Mercer já assessorou os governos de Gales e Singapura para incluir a oratória em seus programas acadêmicos.

Para Mercer, professor emérito de Educação em Cambridge, trata-se de uma questão de desigualdade social: os filhos de famílias mais privilegiadas costumam frequentar colégios que os ajudam a melhorar sua expressão oral e dar o melhor de si. Essa habilidade lhes propiciará acesso a melhores postos de trabalho, porque são capazes de negociar. Seu objetivo é formar professores da escola pública para que ataquem o problema de frente e sejam uma segunda chance para as crianças que não aprendem a falar corretamente em suas casas. A linguagem influi no rendimento escolar.

Por que a escola não presta atenção à oratória?

Existe a crença de que os colégios devem se centrar na transmissão de conhecimentos sólidos e que qualquer foco no desenvolvimento das habilidades de pensamento distrairá os professores e alunos desse objetivo. É uma falsa dicotomia. As pesquisas em psicologia e educação introduziram algumas mudanças na nossa forma de entender como as crianças desenvolvem suas habilidades cognitivas. Durante anos usou-se como referência o trabalho do psicólogo suíço Jean Piaget, que sustenta que as crianças aprendem a resolver problemas através de sua experiência direta com o mundo, sozinhos. Mais tarde, ganhou maior peso a perspectiva de seu contemporâneo russo Lev Vygotsky: as crianças desenvolvem sua compreensão do mundo através da interação com pessoas do seu entorno. Não o fazem como indivíduos isolados, mas absorvem o que veem e o que ouvem dos outros. Em nossas pesquisas vimos que a aquisição da linguagem e a exposição das crianças a conversas bem construídas durante a etapa pré-escolar estão altamente relacionadas com os resultados acadêmicos posteriores. As crianças que de forma regular são envolvidas em diálogos raciocinados em casa ficam mais propensas a serem mais efetivas em sua expressão oral.

As diferenças no nível educativo que as crianças recebem em casa deveriam ser compensadas na escola, já que muitas entram aos três anos.

Quando as crianças chegam à escola, sua forma de falar se baseia na experiência que tiveram em casa, e isso varia muito de família para família, não têm por que terem aprendido as ferramentas que necessitam. É na família onde aprendem a falar, têm seus primeiros diálogos. A língua que experimentam será a base do que são capazes de expressar. Pode ser que nunca tenham escutado uma conversa de qualidade, bem construída e com argumentos ordenados, ou que não lhes tenham pedido que expliquem suas ideias de forma clara. Muitos pais não se animam a tentar. Isso geralmente está associado a uma desvantagem socioeconômica. Algumas crianças serão muito boas inclusive em respeitar a vez de cada um usar a palavra, outros sentirão medo se tiverem que falar em público. Para muitas delas, a escola e os professores são sua única segunda chance de desenvolver a oratória. Como professor, você nunca deve menosprezar sua influência sobre as crianças. A forma pela qual aprendem a falar depende, em muitos casos, da maneira como o docente se dirige a elas.

Na escola pública não existe uma disciplina para aprender a falar bem em público. O que falhou para que se deixe de lado essa competência?

O término oracy (oratória) foi cunhado em 1965 por Andrew Wilkinson, pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de Birmingham, para dar à expressão oral um status similar ao dos literacy skills (habilidades de leitura e escrita). O fato de não se dar importância a ela no programa acadêmico nacional inglês reflete o desconhecimento dos políticos, que veem a discussão em sala como uma mera distração de outras matérias mais relevantes. Eles opinam que as crianças aprendem a falar de forma natural, mas não a ler. No centro de Oratória de Cambridge desenvolvemos métodos para ensinar a dominar a oratória e para avaliar o progresso dos alunos. Se eles aprenderem a se comunicar de forma efetiva, serão mais bem avaliados e participarão com mais sucesso da sociedade. A expressão oral já é ensinada nos colégios privados, acessíveis para as famílias com mais recursos econômicos. Entretanto, esses centros não ajudam a promover a igualdade social e a mobilidade no Reino Unido.

Como explica que aprender a se expressar bem influencie nos resultados acadêmicos de ciências e matemática?

Nosso estudo intitulado Reasoning as a Scientist: Ways of Helping Children to Use Language to Learn Science (“raciocinando como um cientista: formas de ajudar as crianças a usarem a linguagem para aprender ciências”), que publicamos em 2003, demonstra que as conversas podem contribuir para entender melhor as ciências e a matemática. Analisamos a evolução de mais de 200 alunos britânicos de 9 e 10 anos em um programa experimental. Embora os ensinássemos a interiorizar um vocabulário específico, as habilidades descritivas não eram o foco principal, e sim a capacidade de raciocinar em grupo. Medimos o progresso dos alunos através dos exames de matemática e ciências e o cruzamos com todas as atividades que tinham seguido em sala de aula para desenvolver verbalmente seus conhecimentos. O discurso é crucial nas ciências porque se aprende a descrever observações de forma clara, raciocinar sobre causas e efeitos, fazer perguntas precisas, formular hipóteses, analisar de forma crítica as explicações dos outros, resumir resultados… Definitivamente, esses são procedimentos de pesquisa.

A chave é falar em grupo ou ser capaz de preparar e pronunciar um discurso efetivo?

Uma pesquisa em colégios britânicos demonstrou que as conversas que ocorrem em classe quando os professores dividem os alunos em grupo não são cooperativas, nem produtivas, e são desiguais quanto à quantidade de tempo em que cada aluno intervém. Os alunos não têm claro o que se espera que façam ou que elementos constituem uma conversa de qualidade. Os professores raramente deixam claras suas próprias expectativas ou critérios, e não oferecem orientações sobre como se comunicar em grupo de forma efetiva. É preciso ensiná-los a usar a linguagem para perguntar, raciocinar, negociar as ideias e construir decisões por consenso. Nosso projeto Exploratory Talks, dentro do programa Thinking Together, estabelece regras para promover essas discussões em sala de aula: toda a informação relevante é compartilhada, todos os membros do grupo são convidados a contribuírem para a conversa, respeitam-se todas as ideias, todos devem expor de forma clara o seu raciocínio, e é preciso chegar a um acordo.

Como um professor pode saber se está agindo corretamente e se o debate em classe está funcionando?

Se seguir determinadas pautas, comprovará que as condições naturais e habituais que se dão nas conversas ficam suspensas. O status social dos participantes pode ser neutralizado com as regras do jogo, criando uma atmosfera mais igualitária. Por exemplo, as crianças com mais confiança em si mesmas e que costumam falar mais tempo têm a oportunidade de escutar outros pontos de vista. Os mais lacônicos e tímidos, que normalmente ficam calados e em um segundo plano, sentem que sua contribuição é valorizada, que sua voz vale tanto como a dos outros. Perguntas feitas aos demais colegas são premiadas pelo docente e, em longo prazo, isso leva a um melhor entendimento da postura dos outros, a uma maior empatia. Os professores que participaram dos nossos projetos-pilotos nos contam que seus alunos agora são capazes de resolver conflitos fora da sala de aula com maior facilidade. Nosso programa Thinking Together in Maths and Science explica como colocar isso em prática dentro da classe. No próximo mês de setembro ofereceremos em Cambridge o curso de formação de docentes Oracy Leaders, que elaboramos com o Voice 21, a fundação da escola inovadora School 21. É um programa de um ano com apenas quatro sessões presenciais.

Fonte: El País

Três makerspaces que vale a pena conhecer

O site Worlds of Learning selecionou três makerspaces que vêm ganhando destaque ao redor do mundo, confira: DefkoAkNiep (Senegal)

Foi criado em 2014 pela ONG Ker-Thiossane. O nome do makerspace significa “Faça com todo mundo”, no idioma local, Wolof. Com mais de 70 membros, o DefkoAkNiep oferece treinamento para crianças, empresários, artesãos, estudantes, artistas e engenheiros. Os alunos têm contato com máquinas de fabricação digital, como a cortadora a laser e a impressora 3D, além de ferramentas manuais. Entre seus projetos, está o desenvolvimento de soluções energéticas a partir de painéis solares e turbinas eólicas. Para conhecer mais, acesse https://www.facebook.com/Defkoaknieplab/ ou www.twitter.com/defkolab.

Makerspace Tuce (Gana)

Está localizado nas dependências da Faculdade de Educação de Tumu, no distrito de Sissala East, parte noroeste de Gana. Foi idealizado pela Novan Education & Training e é administrado pelo corpo docente da faculdade. Possui apenas um ano de existência, mas já ajudou diversos professores a criarem ferramentas para ensinar matemática e leitura aos alunos. Todos os materiais são válidos para desenvolver projetos: bancos, caixas, computadores, impressoras e ferramentas eletrônicas, de arte e de carpintaria. A iniciativa ainda não possui redes sociais.

Walhallab (Holanda)

É considerado o mais antigo espaço maker privado da Holanda. Foi fundado em 2003, em Zutphen, por Marco Mout, com o objetivo de estimular crianças a desenvolverem seus talentos. Os alunos possuem entre 6 e 20 anos e são provenientes de diversas classes sociais. Segundo Mout, os materiais para a construção de projetos vão de sucatas, motosserras e soldas a tipos luxuosos de madeira e impressoras 3D. Ferramentas de pintura e máquinas de costura também fazem parte. Entre os colaboradores do makerspace estão profissionais de TI, escultores, pedagogos, psicólogos, fotógrafos, construtores de drones e designers. “Nós projetamos, construímos, pintamos, colamos, soldamos… Evitamos as limitações”, afirma Mout. Além de realizar parcerias com escolas, o Walhallab também trabalha com usuários de drogas e crianças com autismo e TDAH. Outra meta é abrir um curso para professores para desenvolver novas habilidades de ensino e motivação. Conheça mais em www.walhallab.nl ou www.facebook.com/walhallab.

Interesse pela arte deve ser estimulado no primário; saiba o que as escolas podem fazer

O interesse pela arte deve ser incentivado na escola primária, logo no início do desenvolvimento da criança. Infelizmente, a maioria dos professores não tem tempo para montar um currículo de arte abrangente por conta própria. Mas se todos trabalharem juntos e compartilharem ideias, é possível criar algo que valha a pena. Há uma série de pequenas melhorias que podem fazer toda a diferença e vamos falar sobre elas hoje.

Procure projetar lições que se baseiem em aprendizagens anteriores, possam ser conectadas a um contexto mais amplo (histórico ou geográfico, por exemplo) e ofereçam oportunidades para desenvolver a alfabetização visual. Os professores podem ajudar as crianças a pensarem criticamente sobre imagens, fazendo perguntas abertas e fechadas, e dando a elas frases iniciais como uma maneira de falar sobre arte. Por exemplo, “Eu gosto do jeito que o artista tem…” ou “Nesse trabalho eu posso ver…” O mais importante é garantir que o assunto seja amplo e inclua artistas cultural e etnicamente diversificados. As crianças precisam entender que a arte é feita por todos os tipos de pessoas, de várias maneiras, e devem se sentir representadas pela arte e pelos artistas aos quais estão expostos.

Para não precisar criar um currículo de arte a partir do zero, é possível fazer uso de outros tópicos que já estão sendo ensinados na escola. Por exemplo, uma lição de história sobre a segunda guerra mundial poderia ser usada para aprender sobre artistas como Henry Moore, Gonçalo Mabunda ou Laura Knight. Links podem ser feitos para aulas de ciências e matemática também. As crianças mais novas poderiam observar o uso de formas em obras de arte, como as de Paul Klee, ou aprender sobre o ilustrador científico, um dos primeiros a mostrar o ciclo de vida completo de um inseto. A internet facilita a localização de artistas com links para vários tópicos.

Existem muitas grandes obras de arte com narrativas fascinantes e simbolismos. Se você puder fazer referência à arte, garantindo que as crianças estejam aprendendo uma habilidade ou técnica artística e tenham a oportunidade de expressar suas próprias ideias, você estará proporcionando uma experiência de arte bastante completa.

Para as escolas que acham difícil dedicar uma hora por semana à arte, os professores ainda devem tentar inserir pequenas explosões de criatividade no dia. As aulas pequenas (de 10 a 30 minutos) podem incluir olhar para uma obra de arte e discuti-la, praticar habilidades de desenho ou desenhar livremente. Tais atividades são fáceis de entregar e melhores do que nada quando o horário é apertado. É claro que isso não deve substituir completamente as aulas de arte mais longas – trabalhar por um tempo constante em empreendimentos criativos vale sempre a pena.

Historicamente, muitos artistas foram forçados a usar materiais alternativos devido à falta de fundos, e isso poderia ser uma fonte de inspiração para lidar com os custos baixos. O artista Abdulasis “Aziz” Osman começou a pintar em caixas de cereais, por exemplo, e Jean-Michel Basquiat pintou em portas e pneus antes de ganhar dinheiro com arte. Se o espaço permitir, tenha um ponto de coleta de papelão e outros itens “inúteis” em sala de aula. Papelão pode ser cortado e usado como tela para pintar, como um espalhador de cola, como material de escultura ou como paletes para misturar tinta. Ao aprender sobre arte rupestre, as crianças podem até usar lama, gravetos e folhas para pintar.

Por fim, peça às crianças que criem formas de fazer arte com um orçamento apertado – quem sabe não veremos o nascimento de um novo artista?
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Mindfulness ajuda crianças a aprender e a superar traumas; saiba mais

Em 2014, a equipe da Reach Academy, em Oakland, Califórnia, percebeu o quanto seus alunos precisavam aprender a lidar com suas emoções. Em uma tentativa de oferecer apoio psicológico, eles contataram a professora de mindfulness Laurie Grossman.

Quando Laurie instruiu uma classe a fechar os olhos e a se concentrar em sua respiração, um aluno se recusou e permaneceu de olhos abertos.

Esse tipo de resposta é comum entre estudantes que sofreram traumas, como a morte de um dos pais, divórcio, negligência emocional ou dificuldades financeiras. Pesquisas neurológicas mostram que experiências trágicas podem afetar o desenvolvimento do cérebro e a capacidade da criança de se concentrar e relaxar. Como resultado, os alunos acreditam que é importante manter sempre um olhar atento sobre o ambiente ao redor.

“O trauma que nossos filhos carregam afeta sua capacidade de aprender”, diz o educador Mason Musumeci, ex-professor de alfabetização da Reach Academy. Como as crianças têm testemunhado níveis de conflito altos, geralmente são carregadas de sentimentos de preocupação e medo, emoções que as impulsionam para o modo de luta ou fuga – um estado contínuo de estresse que afeta sua saúde física e mental. Esses problemas impedem que elas se sintam seguras o suficiente para se concentrar na aula.

Se em um primeiro momento os estudantes se esforçavam para fechar os olhos e confiar em Grossman, aos poucos eles reconheceram os benefícios da atividade e ficaram tão à vontade que pediam para liderar a prática eles mesmos. Antes, os professores tinham dificuldade em ajudar os alunos a reconhecer suas emoções, prestar atenção nas aulas e comunicar seus sentimentos verbalmente, em vez de partir para a agressão. Com a introdução do mindfulness, a serenidade pairou na sala de aula e os professores e administradores da escola reconheceram a importância da técnica.

“Quando pratico mindfulness, sinto-me calmo e isso me ajuda a aprender”, afirmou um dos estudantes mais indisciplinados. O aluno ficou tão empolgado com a descoberta que, no “Super Hero Spirit Day”, dia em que os alunos se fantasiam com seu super-herói favorito, ele foi vestido de “Mestre do Mindfulness”.

Os alunos contaram a história à Grossman, que perguntou-lhes como poderiam ajudar mais pessoas. Eles, então, decidiram escrever um livro. Durante três meses, a professora se encontrou com as crianças várias vezes por semana. Eles fizeram um brainstorming para escolher quais informações queriam compartilhar no livro e acabaram decidindo que a obra incluiria três pontos principais: a definição de mindfulness, como a prática os ajudou e como outras crianças podem se beneficiar também. Um artista local deu vida às suas histórias por meio de desenhos.

O livro, “Master of Mindfulness: How to Be Your Own Superhero em Times of Stress” (“Mestre do Mindfulness: como ser seu próprio super-herói em momentos de estresse”, em tradução livre) é um livro escrito por crianças para crianças. A obra ensina como o mindfulness pode ajudar a amenizar conflitos familiares, sentimentos tristes e a rivalidade entre irmãos.

Os autores do livro ao lado da professora Grossman

Os autores do livro ao lado da professora Grossman

Escrever também serviu como uma forma de terapia para os alunos. Por meio do processo de escrita, eles perceberam o quanto o mindfulness os ajudou a responder ao trauma, em vez de reagir a ele.

Os estudantes continuam a usar a técnica para ajudar outras crianças. Em junho, quatro dos autores foram para a Park Day School, em Oakland, e conversaram com uma turma da quarta série e duas da segunda série. Na Reach Academy, o mindfulness passou a fazer parte do currículo escolar. Inspirador, não?

Conheça a escola onde “ensinar” felicidade é mais importante que matemática

As escolas do futuro não serão focadas no aprendizado das matérias tradicionais, mas, sim, no desenvolvimento da personalidade e caráter de cada estudante. É o que acredita um grupo de empreendedores que trabalha na construção de uma instituição de ensino na área rural da cidade de Chennai, na Índia. A escola, chamada Riverbend School, atenderá jovens da 6ª série ao ensino médio e terá como missão ensinar felicidade.

O objetivo da escola não é o de preparar os alunos para ser aprovado em exames e avaliações tradicionais e, portanto, ela não seguirá uma grade curricular padrão. Os estudantes poderão escolher o que querem aprender por meio de experiências, como meditação, basquete, programação, poesia e desenvolvimento de negócios.

“O conhecimento que está sendo compartilhado nas escolas hoje em dia pode não ser o conhecimento que terá que ser passado daqui a cinco anos. Então por que vamos ensinar algo assim? Felicidade, inteligência emocional, equilíbrio, confiança e autoestima são as bases para que as grandes realizações sejam alcançadas”, declarou o cofundador da escol, Vivek Reddy. O ensinamento de habilidades específicas de aprendizado virá posteriormente à realização de atividades lúdicas.

A Riverbend School terá coaches e mentores que ajudarão os estudantes a aprender como pensar de forma independente e a focar em assuntos ou habilidades que lhes interessem.

“Nas escolas tradicionais, a prioridade é encher a cabeça das crianças com informações. Com sorte, talvez a escola se importe com a personalidade e o tipo de pessoa que o aluno é”, afirma Danish Kurani, arquiteto responsável pelo projeto do campus. “Nosso ensino será primeiro focado no caráter e no desenvolvimento da personalidade dos estudantes. Queremos cultivar crianças felizes, pessoas solidárias, que vão sair pelo o mundo e fazer algo positivo.”

 

O projeto de Kurani foi inspirado por um estudo de Harvard que acompanhou pessoas nos últimos 80 anos e descobriu que relacionamentos fortes são a chave para uma vida feliz. Além disso, a partir de um outro estudo, o arquiteto descobriu que o formato de aldeias tende a promover relacionamentos mais fortes. Por isso, o layout do campus imita o de uma aldeia, com uma grande área central para convivência. “A escola é centrada em torno de uma praça central pública e tem espaços para estudar, brincar, refletir, viver e plantar. Todo aspecto do projeto encoraja a socialização”, diz Kurani.

O campus inclui laboratórios para estimular a colaboração, desenvolvimento de protótipos e criações digitais, quartos que podem ser usados como galerias, espaços para apresentações, gravações, aulas de música, arte e dança, além de uma loja onde estudante podem conceber e desenvolver negócios. Ele também contará com um instituto com pesquisadores que podem estudar a efetividade das técnicas do novo método de ensino proposto.

Filosofias e textos hindus também serão usados para ensinar aos estudantes a viver uma vida feliz. “No contexto ocidental, você acredita que o ambiente controla sua felicidade. Então você quer controlar seu ambiente”, afirma Reddy. “Em uma filosofia oriental, você tende a crer que você controla a felicidade por meio de sua mente, então você é capaz de desconectar o ambiente da felicidade. Idealmente, é isso o que queremos ensinar para as crianças”.

A abertura da escola está prevista para 2020. Os responsáveis pelo projeto ainda estão trabalhando para resolver o descompasso entre seu modelo e as leis educacionais indianas. Eles entendem que não será uma escola para todos, mas que pelo menos alguns se identificarão com a filosofia. “As pessoas buscam universidades e carreiras bem sucedidas porque, no fim das contas, querem ser felizes. Pode ser que faça sentido focar nesse objetivo de forma mais direta”, conclui Reddy.

 

Fonte: Época Negócios

Na Finlândia, alunos agora ensinam tecnologia para professores e idosos

No pouco ortodoxo modelo de ensino que levou a Finlândia ao topo dos rankings globais de educação, uma inovadora inversão de papéis começa a tomar corpo: alunos estão dando aulas aos professores, para ensinar os mestres a otimizar o uso de tecnologias de informação e comunicação nas escolas.

“Crianças e adolescentes aprendem a lidar com novas tecnologias e aplicativos de maneira muito mais rápida do que nós, adultos. E eles não têm medo de tentar coisas novas”, afirma Pasi Majasaari, diretor da escola Hämeenkylä, na cidade de Vantaa, próxima à capital Helsinki. “É maravilhoso ter crianças de até dez anos de idade dando aulas de tecnologia aos nossos professores, e os resultados têm sido surpreendentes. Tanto para os estudantes como para os mestres.

O projeto OppilasAgentti (“Agentes Escolares”, em tradução livre) está sendo conduzido em cerca de cem escolas finlandesas, e a ideia é levar a nova experiência a um número cada vez maior do universo de 3.450 instituições de ensino do país. Trata-se de um modelo para desenvolver as competências tecnológicas não apenas dos professores, mas de toda a comunidade escolar – e também do seu entorno: os alunos da escola Hämeenkylä, por exemplo, também estão dando aulas aos idosos de um asilo local sobre como usar redes sociais, iPads e outros dispositivos.

“Acreditamos que é importante ensinar nossas crianças a descobrir seus potenciais e a desenvolver seus valores, e mostrar a elas o impacto positivo que cada indivíduo pode exercer na sociedade”, observa Majasaari. “É preciso compreender a realidade à sua volta, e por isso nossos alunos também cooperam com a igreja local em programas assistenciais para a alimentação dos mais pobres e menos favorecidos em nossa sociedade”, acrescenta.

A escola tradicional, dizem os finlandeses, já não funciona mais. “O modelo de educação da era industrial treinava crianças para ficarem sentadas, quietas e em silêncio, e executar tarefas repetitivas. As crianças de hoje não querem e não precisam mais ficar sentadas. Elas precisam exercitar sua criatividade, exercer um papel ativo e serem ensinadas a pensar por conta própria”, diz Majasaari.

Constante evolução

A ideia de envolver os alunos na capacitação tecnológica dos mestres nasceu a partir de relatos de muitos professores, que diziam ter dificuldades em se manter atualizados com a constante evolução da era digital.

“Muitas inovações tecnológicas são compradas regularmente para equipar as escolas, como por exemplo novos aplicativos ou as imensas tevês inteligentes de tela plana que temos em nossos corredores. Mas vários professores ou não sabiam como usá-los em todo o seu potencial, ou não tinham tempo suficiente para se dedicar a essa tarefa”, diz o diretor da escola Hämeenkylä.

Os alunos do projeto StudentAgents têm entre dez e 16 anos de idade. Pelo sistema, os estudantes interessados em participar se apresentam como voluntários, e relatam suas competências e habilidades em determinadas áreas. As escolas também oferecem treinamento aos alunos, em aulas ministradas por especialistas de diferentes empresas finlandesas que revendem soluções tecnológicas para o sistema de ensino do país. A partir daí, os estudantes produzem um mapeamento das necessidades digitais da escola, sob a orientação de um professor. Eles fazem então um planejamento das atividades necessárias, e passam a atuar em três frentes.

Na sala dos professores, os alunos dão aulas ocasionais sobre como usar diferentes dispositivos e aplicativos. Professores também podem contatar os estudantes para pedir assistência individual, a fim de solucionar pequenos problemas. E os alunos-mestres também atuam como professores assistentes nas salas de aula, para prestar ajuda tanto aos professores quanto a outros colegas de classe quando determinada lição envolve o uso de tecnologia.

“Os alunos estão ajudando a implementar uma série de novas soluções digitais nas escolas, como a prestação de apoio técnico na introdução de sistemas”, diz à BBC Brasil Risto Korhonen, da Ilona IT, uma das empresas finlandesas que vêm realizando treinamentos para os alunos do projeto StudentAgents. As aulas de codificação são particularmente relevantes, ele diz. “Grande parte dos professores possui um conhecimento limitado nessa área, e por isso os alunos desempenham um importante papel ao ensiná-los a lidar com dispositivos de codificação.”

Os estudantes do projeto também realizam webinários (seminários transmitidos via internet) para ensinar colegas de outras escolas, além de treinar crianças menores em técnicas de edição e animação de vídeos. “Nossos alunos estão ainda dando suporte técnico a uma série de atividades na escola. Por exemplo, eles desenvolvem os efeitos especiais e todo o sistema técnico para os concertos de música que realizamos.”

Alunos felizes e orgulhosos

Os resultados positivos da experiência foram apresentados recentemente durante o evento que a Finlândia classificou como a maior reunião de pais e professores do mundo – uma conferência realizada simultaneamente, nas escolas de todo o país, para debater a agenda de reformas necessárias a fim de preservar o nível de excelência do ensino público finlandês nos próximos anos.

“Os alunos estão felizes, e orgulhosos de si mesmos. Alguns deles, que não eram bons alunos em determinadas matérias, adquiriram uma nova autoconfiança. Uma de nossas crianças apresentava problemas de concentração, mas floresceu de forma surpreendente quando demos a ela esta oportunidade de participar de maneira ativa e positiva na escola”, conta Majasaari.

Os professores também têm aprovado os efeitos da inovação. É uma lógica natural, aponta o diretor da escola. “Quando ajudamos as crianças a identificar seus talentos e suas forças, elas se comportam melhor, aprendem melhor e obtêm melhores resultados nas escolas.”

Inverter o papel tradicional dos alunos nas escolas é mais um pensamento fora da caixa do celebrado sistema finlandês, que conquistou resultados invejáveis nos rankings mundiais de educação com um receituário que inclui menos horas de aulas, poucas lições de casa, férias mais longas e uma baixa frequência de provas. Um dos principais pontos do novo currículo escolar, adotado em agosto do ano passado, é fazer com que as crianças se transformem em aprendizes ativos.

“É um novo conceito de aprendizado”, afirma Majasaari. “Nossos alunos do ensino médio já não usam mais livros escolares. Nas aulas de História, por exemplo, os estudantes aprendem a trabalhar com chromebooks (computadores pessoais) que permitem a eles coletar informações, analisar dados e escrever seus próprios livros eletrônicos. Assim, eles aprendem ao mesmo tempo história e tecnologia. Nossa missão é encontrar novas formas de aprimorar a escola e dar aos alunos a possibilidade de descobrir seus talentos, desenvolver sua autoestima e aprender coisas que serão importantes para suas vidas no futuro.”

Fonte: BBC Brasil

Está na hora de acabarmos com a lição de casa?

Outro dia, a escola pediu a meu filho de seis anos que escrevesse seis enigmas com as palavras que aprendeu a soletrar na semana. Um exercício extra às tarefas de leitura, matemática e ciências.

Há alguns meses, fico obedientemente sentada ao lado dele enquanto realiza esse tipo de tarefa. Com a leitura nunca tivemos problemas – nós dois lemos por pelo menos uma hora por dia por puro prazer. Mas o restante das lições acabou se esticando por várias horas por dia. Criar um enigma? Isso nem sequer é fácil para um adulto. Agora tente criar seis. Em uma noite!

Nós amamos a professora do nosso filho. E eu estava disposta a aceitar que esse é o sistema escolar, mesmo que cada vez mais pesquisas surjam para questionar a eficácia da lição de casa no Ensino Fundamental. Mas me recusei a continuar com isso quando descobri que uma das lições era acessar um site e digitar “drogas ilegais” para completar “um questionário fácil”.

Isso precisa parar.

Pesquisadores concordam que a lição de casa é inútil para jovens estudantes. “A pesquisa é muito clara. Não há benefício no nível da escola primária”, afirma Etta Kralovec, professora de educação da Universidade do Arizona. “A qualidade da lição de casa dada é tão fraca que simplesmente fazer com que as crianças leiam já é uma alternativa mais poderosa”, concorda Richard Allington, professor da Universidade do Tennessee.

Pesquisadores da Duke University, liderados pelo professor de psicologia Harris Cooper, examinaram cerca de 60 estudos anteriores sobre lição de casa e concluíram que ela teve alguns efeitos positivos no desempenho dos alunos. Mas a correlação positiva foi muito mais forte entre estudantes de 7 a 12 anos. “Mesmo para os alunos do Ensino Médio, sobrecarregá-los com a lição de casa não está associada a notas mais altas. Elas simplesmente entram em ‘burn out’”, analisou Cooper.

E esse é o meu maior medo. Meu filho é brilhante, extrovertido e ativo. Ele joga tênis quatro vezes por semana e, até recentemente, estava fazendo aulas de natação aos sábados e domingos – todas essas atividades foram pedidas por ele e ele adora. Meu filho é insaciável e curioso: seu passatempo preferido é assistir a documentários na sexta-feira à noite.

A vida escolar é outra história. Já na pré-escola, ele enfrentou problemas de ansiedade ao fazer provas. E agora, pela primeira vez, ele está me dizendo que na escola se sente como em uma prisão. Em casa, seu pai e eu costumávamos ler para ele sobre ciências e história. Agora, todo o nosso tempo livre é gasto torturando nosso filho sobre sua lição de casa. Em vez de sentar-se com ele para ver seu novo livro sobre as pirâmides de Gizé, estou desempenhando o papel de patrulhar se está ou não fazendo tarefa.

Estamos inconscientemente envenenando o amor de nossos filhos pela aprendizagem?

Heather Shumaker, autora de “It’s OK to Go Up the Slide”, acredita que estamos. “Uma criança que acaba de ingressar na vida escolar merece a chance de desenvolver o amor pela aprendizagem. Em vez disso, a lição de casa faz com que muitas se voltem contra a escola e o aprendizado acadêmico”, escreveu.

Há poucas evidências de que a lição de casa melhora a aprendizagem dos alunos na escola primária. E alguns indícios de que pode prejudicá-los. Então, por que não simplesmente a cortamos? Um condado na Flórida já o fez. O superintendente do condado de Marion, Heidi Maier, eliminou a lição de casa nesse ano, citando a pesquisa de Allington.

É hora de as escolas aceitarem as conclusões de diversas pesquisas e admitirem que a lição de casa na escola primária não só é inútil, mas também pode ser prejudicial.

Vamos acabar com isso.

Por Ana Menéndez, jornalista e autora de quatro livros, para o Miami Herald

Comemore o Halloween no MundoMaker

Tem festa mais divertida para as crianças que o Halloween? Melhor ainda se for no MundoMaker!

Entre os dias 21 e 31 de outubro, nas unidades Morumbi Town e Berrini, vamos promover oficinas usando a cortadora a laser, a impressora 3D e todas as ferramentas de uma oficina de verdade para fazer projetos assustadores e interativos, como um fantasma com rodinhas nos pés, uma abóbora motorizada e acessórios e luminárias temáticas!

Além disso, faremos uma festa incrível para a criançada. Basta trazer um grupo de amigos e muita animação – as guloseimas são por nossa conta!

Para agendar sua festa, basta entrar em contato pelo email ola@mundomaker.cc ou pelos telefones (11) 98944-4335 (unidade Vila Madalena), (11) 98944-4335(Morumbi Town) e (11)  97695-0176 (Berrini).

Venha comemorar o Dia das Bruxas com a gente!

Valor: R$ 140,00 por pessoa para duas horas de oficina (grupos divididos por faixa etária, com 1 mediador maker para cada 5 participantes)

Lições de casa dificultam o aprendizado; entenda

Por Lynn Collins

Já acreditei que, por meio da lição de casa, meu filho aprenderia mais e, portanto, teria um desempenho acadêmico melhor. E, alcançando um bom desempenho, consequentemente entraria em uma excelente faculdade. Ele seria preparado para uma vida bem sucedida e feliz. Porém, ao longo dos meus 20 anos como professora e mãe, comecei a ver as coisas de um jeito bem diferente. A lição de casa não leva a maiores realizações, na escola ou na vida, simplesmente porque ela não é a resposta.

Mas por quê?

Em primeiro lugar, a lição de casa mata o desejo natural de aprender que nasce com a criança. Nossos filhos passam cerca de sete horas na escola todos os dias, onde se dedicam a diversas lições e trabalhos, e depois ainda lhe damos tarefas para fazer em casa.

Queremos que nossos filhos trabalhem duro e obtenham conquistas, mas nós os sobrecarregamos com tarefas até que eles não gostem mais da escola e o aprendizado se torne algo chato e esmagador. Esse esgotamento físico e mental que a criança sente em relação à escola é a antítese da curiosidade e, claro, não leva ao sucesso. “O trabalho de casa pode ser o maior extintor de curiosidade já inventado”, afirma Alfie Kohn, escritor e um dos palestrantes mais populares na área da educação.

Centenas de estudos de pesquisa (centenas!) são contra a lição de casa. Segundo Denise Pope, professora sênior da Stanford e autora de “Overloaded and Underprepared: Strategies for Stronger Schools and Healthy, Successful Kids” (“Sobrecarregado e despreparado: Estratégias para escolas mais fortes e crianças saudáveis bem-sucedidas”, em livre tradução), diversas pesquisas indicam que não há correlação entre o bom desempenho acadêmico e a lição de casa.

Um estudo da Penn State University, conduzido pelos pesquisadores Gerald LeTendre e David Baker, mostrou que os alunos em países de alto desempenho como Japão, Dinamarca e República Tcheca recebem menos deveres de casa do que estudantes dos Estados Unidos. Estudantes com os índices mais baixos vieram de países como Irã, Grécia e Tailândia, onde grande quantidade de lição de casa é passada.

Outras pesquisas concluíram que a lição de casa geralmente afeta o sono. Isso porque, depois de um longo dia escolar, de outras responsabilidades e do jantar, as crianças muitas vezes demoram mais tempo para terminar a tarefa do que demorariam se a fizessem na escola, já que estão cansadas do dia exaustivo. Assim, eles vão para a cama mais tarde, perdendo o sono precioso e fundamental para o processo de aprendizagem. Pesquisadores da Divisão de Medicina do Sono de Harvard analisaram que, quando estamos privados de sono, nosso foco, atenção e vigilância oscilam, tornando mais difícil a absorção de informação. Sem dormir e descansar adequadamente, os neurônios sobrecarregados não conseguem mais funcionar para coordenar as informações e perdemos nossa capacidade de acessar o conteúdo aprendido previamente.

Para piorar a situação, os familiares muitas vezes discordam e discutem sobre os trabalhos de casa, levando a um grande estresse em casa. Os pais tornam-se os professores (sem credenciais) e espera-se que conheçam os métodos que o professor usou em sala de aula, um encargo injusto para eles. Além disso, as crianças precisam lidar com o fardo da decepção de seus pais quando não entendem um conceito. As noites não devem ser um momento estressante para as famílias, mas, sim, uma chance de estreitar o vínculo.

Mas, então, qual a solução?

É preciso que a criança aprenda de outras maneiras. Aprender com um professor que é credenciado e experiente é maravilhoso e exercícios podem ajudar os alunos a trabalharem para dominar a matéria, mas a escolaridade tradicional não deve ser a única maneira de aprendizado. Uma alternativa válida é adotar uma atividade apoiada por pesquisa, como a leitura. As crianças também podem aprender assistindo a documentários interessantes, fazendo contas matemáticas enquanto prepara uma receita, jogando Scrabble, indo a museus, e assim por diante. Ao aprender de outras maneiras, nossos filhos usarão seu cérebro de maneiras novas, e eles verão que aprender não é apenas algo que acontece dentro de uma sala de aula.

Que tal dar-lhes algum tempo de descanso depois a escola para que possam se recuperar mentalmente do longo dia? Se nossos filhos vão à escola renovados, em vez de estressados,  sua curiosidade natural retornará e eles terão mais energia mental para aprender. Ao proteger esse tempo de inatividade para os seus filhos, você também está dando tempo para que pensem por si e descubram quem são, ao invés de robôs que só fazem o que são orientados.

Que tal mandar seu filho realizar alguma tarefa doméstica? De acordo com o Harvard Grant Study, um dos estudos longitudinais mais abrangentes da história, o indicador número um de sucesso profissional na vida é ter feito tarefas domésticas quando se era criança. Ao ajudar a casa, as crianças sentem que estão contribuindo para a família. Isso se traduz em uma atitude de “como posso contribuir com o grupo?”, como adulto, em vez de uma atitude de “o que posso fazer por mim?”. Também é possível mudar a forma como a lição de casa é vista ao reativar o desejo natural de aprender. Como? Orientando que façam leituras noturnas. Com uma política de lição somente para leitura, as crianças realmente teriam tempo para fazer a leitura e sentiriam um prazer verdadeiro, em vez de concluir a tarefa por obrigação.

Vicki Abeles, defensora da educação e criadora de “Race to Nowhere”, um documentário poderoso sobre nosso sistema de educação de alta pressão e o que ele está fazendo com os nossos filhos, criou diretrizes, com sua equipe, sobre o que a lição de casa deve ser. Suas diretrizes incluem: aprendizagem baseada em projetos, projetos liderados por estudantes sobre assuntos que os interessem, experiências que não podem ser realizadas dentro do horário escolar e tarefas que promovem um espírito de aprendizagem, curiosidade e indagação entre estudantes.

Nos Estados Unidos, muitos educadores e escolas inteiras aboliram a lição de casa com grande sucesso. Outros estão hesitantes, muitas vezes porque os pais ainda exigem lição de casa sem entender o problema. Se não fizermos uma mudança agora, nossos filhos pagarão o preço mais tarde. É preciso compartilharmos esses pensamentos com professores e diretores para observamos uma transformação de fato. A liberdade de absorver conhecimento, em vez da tarefa de casa tradicional, trará o desejo natural de aprender dos nossos filhos, criando-os para grandes realizações, tanto na escola quanto na vida.

Lynn Collins atualmente trabalha como consultora de educação

 

Fonte: Free-range Kids

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